POLÍCIA
Segunda-feira, 01 de Março de 2010, 21h:57
A
A
BARBÁRIE NO PEDRA 90
Acusado deixa claro esquartejamento
A Justiça realizou a audiência única dos três réus do assassinato do estudante Robert Santana Pereira, de 19 anos, que foi decapitado, colocado - corpo e cabeça - num tambor de lixo e jogado num matagal do bairro Pedra 90. A briga ocorreu por causa de uso de drogas entre os quatro envolvidos. Foram denunciados pelo Ministério Público Estadual (MPE) o chapeiro Francisco Lima de Arruda, de 20 anos, Wellington Nunes da Silva, de 19, e Welington Gonçalves, de 23, todos réus presos. Os três respondem pelo crime de homicídio triplamente qualificado - meio cruel, motivo torpe e recurso que dificultou a defesa por parte da vítima. A audiência única ocorreu na última quinta-feira, pela 12ª Vara Criminal de Cuiabá. Segundo o promotor criminal João Augusto Gadelha, só não foi possível entrar nos memoriais finais (equivalente às alegações finais) por causa do horário. Começamos a audiência às 8h30 e terminamos os trabalhos 12 horas depois. Por causa do adiantado da hora, foi marcada uma nova data, informou. O relato mais impressionante foi de Francisco Lima que, no dia em que foi preso, detalhou como ocorreu a execução. Ele confirmou, ratificou que o crime ocorreu por causa da compra de drogas, mas esclareceu que não houve esquartejamento - eles decapitaram Roberto e colocaram o cadáver num tambor e o carregaram num carrinho de mão. Segundo Francisco, o crime ocorreu na casa de Welington Nunes, no dia em que o estudante desapareceu. Ele (Robert) levou R$ 50 para comprar drogas para nós três (Francisco e os dois Wellingtons), mas fumou mais da metade e trouxe pouca droga. Então, ficamos revoltados, frisou. A partir daí, um se armou com um machado, outro com uma faca e outro com um pedaço de ferro. Começaram a matá-lo. Depois, cortamos a cabeça dele. Ninguém esquartejou nada. Parece que o corpo ficou separado porque ateamos fogo e o fogo queimou o tronco, que separou, relatou. Conforme o chapeiro, após o crime, os três pegaram um tambor de lixo que estava nos fundos e colocaram o corpo. Para esconder o cadáver, eles pegaram um carrinho de mão para tirar o tambor da casa e levá-lo até a região de chácaras. Não sei quantos metros a gente andou (com o corpo no tambor) porque não reparo em termos de distância. Mas a gente (os três criminosos) andou uns cinco minutos. Muita gente viu sim e sabia que era o corpo de alguém, acrescentou. Para disfarçar, levaram a mochila do estudante, que foi pendurada numa árvore e queimada. Ao chegar ao local, atearam fogo no cadáver que foi dobrado para caber no tambor. A gente não esperou queimar tudo. Depois, fugimos, cada um para um lugar, completou. Francisco não viu exagero nem requintes cruéis no tipo que cometeu. Alegou ser normal esse tipo de vingança, pois é assim que acontece. (AR)