Se esses golpes se destacam por alimentar os celulares pré-pagos em mãos de presos nas cadeias, o destaque maior fica por conta da facilidade com que os criminosos têm acesso a aparelhos celulares dentro dos presídios. Tanto a Polícia Militar como os agentes prisionais, acreditam que os celulares chegam com as visitas, muitas vezes escondidos nas partes íntimas das visitantes, como a imprensa tem divulgado com freqüência. A facilidade é tanta que, de um celular comum, a reportagem fez contato com o celular de um detento preso na Penitenciária Regional de Pascoal Ramos. O rapaz se identificou e disse que conversa na hora que bem entende, seja durante o dia, seja a noite. O número do aparelho foi fornecido por um amigo do presidiário, com quem ele fala ao menos uma vez por dia. Como ele consegue colocar créditos, isso eu não sei, mas sei que outras pessoas também usam o mesmo aparelho, explicou o amigo. Para a Polícia, o crime organizado é quem forneceria parte dos créditos. Durante a última rebelião na Penitenciária, ocorrida no ano passado, a esposa de um preso mantinha ligação direta com o marido por meio de um telefone celular. Inclusive, foi através desse celular que vários jornalistas o entrevistaram. No mês passado, o Serviço de Inteligência (SI) da PM descobriu que um telefone funcional do Estado estava na posse de um preso. Ao ligar para o número, quem atendia era um rapaz preso por roubo de carro. O SI no entanto, descobriu que o celular não havia sido roubado, mas fora presenteado ao detento.