MUNDO
Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010, 10h:07
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ÉPOCA DE FURACÕES
Terremoto deixa Haiti mais vulnerável
Segundo o Escritório de Coordenação para Assuntos Humanitários das Nações Unidas, o terremoto no Haiti deixou 300 mil feridos e 1,2 milhão sem teto
O terremoto que devastou boa parte do Haiti em janeiro deixou o país em uma situação de enorme vulnerabilidade diante da temporada de furacões que começa em junho, apontaram ontem especialistas. "A vulnerabilidade do Haiti diante de tempestades tropicais ou furacões é maior do que o normal em consequência do terremoto", disse Sharan Majumdar, professor de meteorologia e de oceanografia da Universidade de Miami (UM). Para o professor, a situação do Haiti desperta uma "preocupação muito séria" em relação à temporada de furacões de 2010 no Oceano Atlântico, que será mais ativa do normal, segundo as previsões de especialistas da Universidade do Colorado. Na opinião de Majumdar, é alarmante que "muitos edifícios, estradas e casas ainda estejam em péssimo estado quando a temporada de furacões chegar com ventos fortes, tempestades e enchentes". De acordo com o meteorologista William Gray e sua equipe da universidade do Colorado, se espera para 2010 a formação de entre 11 e 16 tempestades e seis e oito furacões no oceano Atlântico, dos quais entre três e cinco serão de categorias 3, 4 ou 5, as mais altas. FURACÕES A última temporada de furacões no Atlântico, que afeta a área do Caribe, México, América Central e Estados Unidos, terminou com a formação de nove tempestades tropicais e três furacões. Segundo o Escritório de Coordenação para Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA, na sigla em inglês), o terremoto no Haiti deixou 300 mil feridos e 1,2 milhão de pessoas sem teto. De acordo com um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a reconstrução do Haiti custará entre US$ 8 bilhões e US$ 14 bilhões. Em 2008, cerca de 900 pessoas morreram no Caribe, a maioria no Haiti, por causa de 16 tempestades tropicais, das quais oito se transformaram em furacões. A temporada de furacões começa em 1º de junho e termina em 30 de novembro. MÉDICOS A Organização Mundial de Saúde (OMS) pediu, ontem, que as agências de auxílio médico permaneçam no Haiti o máximo de tempo possível. A OMS lembrou que essas entidades são cruciais no esforço de reconstrução, após o violento terremoto do dia 12 de janeiro. "Nossa preocupação é pedir aos parceiros maiores que levem auxílio para lá o máximo possível, pelo menos seis meses", disse Henriette Chamouillet, representante da OMS no Haiti. "É absolutamente necessário, porque temos que substituir hospitais que não funcionam", notou ela, em Genebra.