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MUNDO
Terça-feira, 01 de Junho de 2010, 20h:38

ATAQUE ISRAELENSE

ONU determina investigação de ataque

Conselho de Segurança do órgão pediu 'investigação rápida, imparcial, crível e transparente' contra o ação israelense

O Conselho de Segurança da ONU determinou, em reunião emergencial encerrada no início de ontem, que ocorra uma "investigação rápida, imparcial, crível e transparente" da ação militar israelense contra uma flotilha que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza. O incidente da segunda-feira terminou com nove ativistas mortos. Como no dia anterior, vários países condenaram ontem a ação israelense, qualificada pelo primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, como "um massacre sangrento". O Conselho também exigiu a libertação imediata de todas as seis embarcações e dos ativistas que estavam a bordo. A maioria dos mortos era formada por turcos e Erdogan disse que Israel deve ser "punido". A Turquia desistiu de uma simulação militar conjunta com os israelenses e convocou seu embaixador no país, em protesto. O Reino Unido, a França, a Rússia e a China, quatro dos cinco membros permanentes do Conselho, todos com poder de veto, pediram que Israel encerre o bloqueio na Faixa de Gaza. O quinto membro permanente, os EUA, tradicionais aliados do Estado judeu, deram a entender que o bloqueio deve ao menos ser relaxado. As restrições à circulação em Gaza foram impostas por Israel em 2007, após o movimento islâmico Hamas tomar o controle do território. A reação ao ataque israelense forçou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a cancelar uma visita que faria aos EUA, onde se encontraria com o presidente Barack Obama, em Washington. A Casa Branca lamentou as mortes e disse estar esperando que os fatos venham à tona, mas deixou claro que acredita que Israel pode realizar uma investigação completa e crível no caso. Representantes da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se reuniram em Bruxelas para tratar do tema. Embaixadores da UE criticaram o uso da força por Israel e exigiram uma investigação imediata e imparcial. A Rússia também pediu a apuração dos fatos. O primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, qualificou as mortes como algo "absolutamente injustificável". O presidente da UE, Herman Van Rompuy, qualificou-as como "inexplicáveis". A China declarou estar "chocada" com as ações israelenses e disse estar pronta para apoiar uma resposta rápida no Conselho de Segurança. Em Genebra, o Conselho de Direitos Humanos da ONU deve realizar nesta terça-feira uma sessão especial para avaliar se estabelece uma missão especial internacional para apurar os fatos. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também se declarou "chocado" com o caso e pediu que Israel se explique "urgentemente". Protestos - Em muitos países, dezenas de milhares de pessoas protestaram na segunda-feira e muitos países convocaram os embaixadores de Israel para cobrar explicações. Os militares israelenses afirmam que ativistas em um dos navios criaram o tumulto, ao atacar soldados que entravam no convés dessa embarcação. Já para o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, o que ocorreu foi um "massacre". O líder da Liga Árabe, Amr Moussa, disse que houve um "crime". O Hamas pediu aos muçulmanos do mundo todo que protestem, enquanto o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, denunciou a "ação desumana do regime sionista". O presidente egípcio, Hosni Mubarak, condenou o "uso excessivo e injustificado da força", enquanto a Jordânia, única potência regional além do Cairo a ter um tratado de paz com Israel, enviou uma nota de protesto. As informações são da Dow Jones.

Edição EDIÇÃO 16958




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