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MUNDO
Segunda-feira, 22 de Junho de 2009, 21h:08

IRÃ

Novos protestos acentuam divisão política

De acordo com o líder supremo iraniano, a votação que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi justa e os iranianos deveriam aceitar os resultados

JEREMY BOWEN
da BBC, em Teerã
O alerta da Guarda Revolucionária do Irã de que seus soldados vão reprimir protestos realizados sem a permissão das autoridades é apenas a mais recente ameaça contra a oposição iraniana. A postura oficial foi estabelecida por pelo líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, durante as orações da última sexta-feira. De acordo com o líder supremo iraniano, a votação que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi justa e os iranianos deveriam aceitar os resultados. E, caso protestem nas ruas, eles correm o risco de sair feridos. A prioridade para as autoridades iranianas é impedir mais manifestações. Eles parecem ter reconhecido que a presença de tantos manifestantes desafiando o regime estimula a campanha política que ocorre dentro da elite iraniana, comandada pelo homem que acredita ter vencido as eleições, Mir Hossein Mousavi. O aliado mais importante de Mousavi é o ex-presidente iraniano Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, cuja filha e outros membros da família foram O desafio para a oposição é encontrar uma forma de continuar com as manifestações apesar das ameaças. PROTESTOS Cerca de mil manifestantes opositores voltaram às ruas no centro de Teerã ontem, segundo testemunhas, apesar as ameaças da Guarda Revolucionária do Irã de reprimir qualquer manifestação contra o resultado da eleição. Membros da polícia antiprotestos e a milícia Basij, força paramilitar ligada ao regime, dissiparam o protesto com tiros disparados para o alto e bombas de gás lacrimogêneo na praça Haft-e-Tir. Segundo a CNN, pelo menos oito pessoas foram presas. Mais cedo, a Guarda Revolucionária do Irã, a mais poderosa força militar da República Islâmica, disse que os manifestantes que há nove dias protestam contra as eleições presidenciais do último dia 12 devem se preparar para "enfrentar uma dura resposta" caso continuem protestando nas ruas. O comunicado dos Guardas, que são vistos como os mais leais protetores do regime religioso, foi um sinal claro de qualquer novo protesto contra a reeleição do presidente linha-dura Mahmouud Ahmadinejad será combatido com vigor. Testemunhas disseram que helicópteros sobrevoavam a área da Praça Haft-e-Tir, enquanto aproximadamente 200 manifestantes se reuniam. Porém centenas de policiais rapidamente encerraram o evento e dispersaram qualquer agrupamento, inclusive de poucas pessoas. Na estação de metrô de Haft-e-Tir, segundo testemunhas, a polícia não permitia que as pessoas ficassem paradas, falando que deveriam caminhar, e separava grupos que andavam juntos. As testemunhas falaram sob condição de anonimato, por temeram represálias. "Há uma grande, grande, grande presença policial", afirmou uma mulher a um repórter da AP que está no Cairo. "A presença deles é realmente intimidante." A Guarda Revolucionária do Irã, que conta com os melhores recursos e instrumentos de defesa do país, é um corpo de elite que responde diretamente ao líder supremo da Revolução, o aiatolá Ali Khamenei.

Edição EDIÇÃO 16958




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