Israel está preparando sua defesa contra as acusações de "crimes de guerra" após a ofensiva de três semanas na faixa de Gaza, apesar de as chances de uma ação jurídica serem remotas. O país judeu, que prometeu realizar uma investigação sobre os bombardeios em massa contra zonas habitadas na faixa de Gaza, está reunindo provas para demonstrar que seus objetivos eram unicamente militares. "Israel quer estar em condições de apresentar provas demonstrando que a maioria dos imóveis demolidos era usada pelos combatentes. Muitos serviam de base para atirar foguetes e de depósito de armas", explicou à France Presse o ministro dos Assuntos Sociais, encarregado das relações com as ONGs, Yitzhak Herzog. Fotos aéreas e documentos filmados por soldados em campo equipados com câmaras de vídeo, durante os combates, estão sendo reunidos para reforçar a tese israelense segundo a qual os bombardeios eram legalmente justificados. De acordo com os serviços de urgência de Gaza, mais de 1.300 palestinos morreram e mais de 5.000 foram feridos nesta operação que visava o Hamas. Pelo menos 65% das vítimas são civis e entre os mortos estão mais de 400 crianças e 100 mulheres. BOMBAS DE FÓSFORO Escolas administradas pelas Nações Unidas, o quartel-general da agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA) e um comboio humanitário foram alvos de bombardeios. O UNRWA, a Anistia Internacional e médicos estrangeiros presentes em Gaza acusaram o exército israelense de utilizar bombas de fósforo nas zonas habitadas, o que viola as convenções internacionais. A Anistia acusou segunda-feira Israel de "crimes de guerra". Para o especialista da ONU em direitos humanos nos territórios palestinos, Richard Falk, a punição coletiva aplicada por Israel à população se assemelha a um "crime contra a humanidade".