MUNDO
Quinta-feira, 17 de Junho de 2010, 20h:19
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FAIXA DE GAZA
Israel anuncia relaxamento de bloqueio
As medidas parciais anunciadas ontem não são suficientes e não convencem o movimento que governa o território, disse o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri
A organização Anistia Internacional (AI) pediu para Israel levantar totalmente e sem demora o bloqueio imposto à faixa de Gaza, pouco depois de Israel anunciar que pretende diminuir as restrições sobre o território palestino Após crescente pressão mundial pelo alívio do bloqueio à faixa de Gaza, Israel anunciou ontem que deve diminuir as restrições sobre o território palestino. As mudanças, no entanto, devem ser limitadas e o controle naval, assim como a limitação de viagens para fora da faixa, devem ser mantidas. A comunidade internacional voltou sua atenção para a situação dos moradores de Gaza e os efeitos do bloqueio israelense ao território após o ataque do Exército de Israel contra a "Frota da Liberdade", que levava ajuda humanitária à faixa de Gaza, deixando nove ativistas mortos e dezenas de feridos. O governo israelense decidiu suavizar as regulações do bloqueio facilitando a entrada de bens de uso civil e de materiais para projetos civis ao território governado pelo movimento islamita Hamas desde 2007, anunciou ontem o gabinete do premiê de Israel, Binyamin Netanyahu. LISTA A nova lista aprovada por Israel inclui todos os itens alimentícios, brinquedos, artigos de papelaria, utensílios de cozinha, colchões e toalhas, disse Raed Fattouh, coordenador palestino para suprimentos a Gaza. Mas Israel "manterá os atuais procedimentos de segurança para impedir a entrada de armas e material militar", acrescenta o texto. Serão mantidos o bloqueio marítimo, a proibição de exportações da costa da faixa e a proibição contra a importação comercial de materiais de construção --vitais para a reconstrução em larga escala após a guerra de Gaza, de dezembro de 2008 a janeiro de 2009. Gaza, que tem 80% de seus 1,5 milhão de habitantes dependem da ajuda internacional para viver, está submetida a um intenso bloqueio imposto por Israel há três anos. CASTIGO COLETIVO A Anistia Internacional (AI) alegou que o bloqueio gera um castigo coletivo para os 1,5 millhão de palestinos que moram no território, numa clara violação ao direito internacional. Para o diretor para Oriente Médio e Norte da África da AI, Malcolm Smart, a decisão de Israel não é o suficiente. "O anúncio deixa claro que Israel não tem intenções de acabar com seu castigo coletivo à população civil de Gaza, mas apenas aliviá-lo." Ele defendeu que "qualquer medida que ajude a reduzir a horrível crise humanitária em Gaza deve ser bem-vinda, mas Israel deve cumprir com suas obrigações como potência ocupante sob o direito internacional e levantar imediatamente o bloqueio."