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MUNDO
Quarta-feira, 10 de Junho de 2009, 20h:48

MENINAS

Invés de estudar, 100 milhões trabalham

A ONU alerta ainda que, no total, são 218 milhões de meninos e meninas trabalhando com idades entre 5 e 17 anos de idade. No Brasil, são 2,4 milhões

JAMIL CHADE
Da Agência Estado – Genebra
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que existam 100 milhões de meninas trabalhando no mundo, muitas delas em trabalhos degradantes. O alerta é feito às vésperas do Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, que foi celebrado ontem. No total, são 218 milhões de meninos e meninas trabalhando com idades entre 5 e 17 anos de idade. No Brasil, são 2,4 milhões. O que a OIT alerta é que, com a crise econômica, as meninas estejam em especial risco de serem tiradas da escola e colocadas para ajudar as famílias a garantir uma renda mínima. Entre 2002 e 2006, o número de crianças trabalhando caiu no mundo de 248 milhões para 218 milhões. Mas, para Frank Hagemann, diretor do programa de combate ao trabalho infantil, a recessão pode mudar esse cenário. "Com a queda nos recursos vindos da exportação de commodities, com a queda de remessas de parentes vivendo em países ricos e com a queda na economia, a tendência é de que as meninas voltarão a ser chamadas para contribuir", disse. Para a diretora da OIT no Brasil, Lais Abramo, o País conseguiu reduzir de forma importante o trabalho infantil nos últimos anos. A taxa no início da década era de cerca de 8 milhões de crianças trabalhando. Hoje, é 70% menor. Por outro lado, o número absoluto ainda é alto. Um dos problemas, segundo Lais Abramo, é que muitas crianças trabalham como domésticas, o que torna difícil uma ação. Em muitos casos, essa crianças trabalham até 15 horas por dia. No geral, o resultado é que muitas dessas crianças acabam jamais indo à escola. Hoje, 70% das pessoas que não sabem ler no mundo são mulheres. No total, 54 milhões de meninas que estão trabalhando tem menos de 12 anos de idade, sendo que 20 milhões delas ainda estão em trabalhos degradantes. Do total, 61% delas estão na agricultura, contra 30% em trabalhos domésticos e outras 9% no setor industrial. Quinhentas mil ainda trabalham no setor da mineração. AGRICULTURA O relatório destaca que a maioria destas meninas atua na agricultura, segundo uma enquete realizada em 16 países, que mostra que 61% das meninas economicamente ativas, de 5 anos a 14 anos de idade, trabalham nesse setor. "Este é um dos três setores mais perigosos, em termos de mortes, doenças e acidentes por causa do trabalho", aponta o relatório. Um aspecto relevante do estudo é a participação muito mais significativa das meninas, em comparação com os meninos, no trabalho doméstico não remunerado, o que faz com que elas abandonem a escola mais frequentemente. Em termos globais, a porcentagem de meninas de 5 a 14 anos que trabalham nas tarefas domésticas não remuneradas é de 15% a mais que os meninos. Além disso, em todos os países pesquisados, as meninas trabalham mais horas por semana que os meninos. A OIT adverte que a atual crise econômica pode agravar a situação das meninas, pois "quando as famílias se afundam cada vez mais na pobreza e têm que escolher entre enviar seus filhos ou suas filhas à escola, são as crianças que saem perdendo. E conforme a crise se vai aprofundando, as meninas serão suas principais vítimas". O relatório lembra que "dos 16% da população mundial que não sabe ler nem escrever, duas de cada três pessoas são mulheres". No mundo, cerca 75 milhões de crianças não estão na escola. Delas, 55% são meninas.

Edição EDIÇÃO 16959




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