A invasão da mesquita foi detonada após um cerco das forças de segurança paquistanesas aos radicais que durou mais de uma semana
Após mais de 35 horas de luta, o Exército do Paquistão tomou o controle da Mesquita Vermelha, em Islamabad, e informou ter encontrado os corpos de 73 radicais dentro do complexo ontem. Ao menos nove soldados também morreram na invasão da mesquita, que começou na madrugada de anteontem, elevando o número oficial de vítimas para 82. A invasão da mesquita foi detonada após um cerco das forças de segurança paquistanesas aos radicais que durou mais de uma semana. Os choques são resultado de meses de tensão com os radicais da mesquita, que realizavam uma "campanha pela moralização" para pressionar pela aplicação da lei islâmica no Paquistão. Os radicais da Mesquita Vermelha são também acusados de apoiarem o movimento radical afegão Taleban e de tentarem estabelecer no Paquistão um regime similar ao que o grupo tinha no Afeganistão antes da invasão americana, em 2001. Apesar do número de mortos oferecido ontem pelo Exército, especula-se que a contagem final de corpos eleve o número para mais de cem vítimas. O porta-voz dos militares, general Waheed Arshad, afirmou que não foram encontrados cadáveres de mulheres e crianças, mas há ao menos sete corpos tão queimados a ponto de impossibilitar o reconhecimento. Ele afirmou que os corpos foram queimados pelas próprias bombas de gasolina dos radicais. "Recuperamos 73 corpos. Pode haver alguns mais entre os escombros, mas não esperamos que o número seja alto", afirmou. Os corpos foram entregues a autoridades civis. INVASÃO O corpo do líder dos radicais, Abdul Rashid Ghazi, foi encontrado em um porão no complexo da mesquita anteontem. Ghazi assumiu a liderança da mesquita após a prisão de seu irmão, Abdul Aziz, detido quando tentava escapar do cerco vestido de mulher na última semana. A invasão da mesquita começou por volta das 4h de terça-feira (20h de segunda-feira em Brasília), após o fracasso da última tentativa de negociação para o fim de uma semana de cerco e combates com policiais e militares.