MUNDO
Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007, 20h:09
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IRAQUE
Bush autoriza matar agentes iraquianos
As tropas dos EUA agora têm permissão para alvejar membros da Corte Revolucionária do Irã, assim como membros da inteligência
O governo americano autorizou o Exército a matar ou capturar militantes iranianos que estejam em atividade no Iraque, como parte de uma estratégia agressiva para enfraquecer a influência do Irã no Oriente Médio e pressionar para que o país abandone seu programa nuclear. As tropas dos EUA no Iraque agora têm permissão para alvejar membros da Corte Revolucionária do Irã, assim como membros da inteligência que estejam a serviço das milícias armadas que atuam no país. A política não se estende a civis ou diplomatas iranianos. Segundo o jornal americano "Washington Post", por mais de um ano, as forças americanas no Iraque detiveram secretamente dezenas de suspeitos iranianos, mantendo-os presos por até três ou quatro dias em algumas ocasiões. De acordo com o "Post", os EUA coletaram exemplares do DNA de iranianos sem o seu conhecimento, submetendo-os a exames de retina e de impressões digitais antes de liberá-los. No entanto, a administração dos EUA decidiu tomar uma postura mais agressiva, enquanto a influência regional do Irã cresce e os esforços americanos para isolar Teerã parecem fracassar. Além disso, o programa nuclear iraniano avança e aliados dos EUA resistem em adotar sanções severas contra o país, enquanto a violência sectária cresce no Iraque. A política de "capturar e matar" foi autorizada pelo presidente George W. Bush em uma reunião com seus principais assessores no ano passado, ao lado de outras medidas para conter a influência do Irã sobre o Iraque e o Líbano, e também pressionar pelo fim do programa nuclear. O Irã alega que seu programa nuclear é pacífico, mas os EUA e outros países afirmam que o país visa desenvolver armas nucleares. AÇÃO IRANIANA De acordo com o "Post", cerca de 150 agentes da inteligência iraniana, além de membros do Comando da Guarda Revolucionária do Irã, estão em atividade no Iraque atualmente. Não há evidências de que iranianos tenham atacado diretamente soldados dos EUA no Iraque. No entanto, por cerca de três anos, iranianos oferecem treinamento, inteligência e armas para milícias xiitas ligadas ao governo iraquiano, para a insurgência e para a violência contra sunitas. O diretor da CIA, Michael V. Hayden, afirmou recentemente ao Senado que o uso de armas de origem iraniana utilizadas contra as forças americanas no Iraque "são bastante significativas". O plano de "capturar e matar" elaborado por Bush causou apreensão entre as agências de inteligência, o Departamento de Estado e o Departamento de Defesa dos EUA, que temem que tal política faça crescer o conflito entre o Irã e os EUA no Iraque. ATAQUE Um ataque a bomba ocorrido perto de um mercado de animais em Ghazil, no centro de Bagdá, matou 15 pessoas e feriu outras 35 ontem, informou a polícia local. A explosão ocorreu às 10h (5h de Brasília), uma hora antes do início da proibição do tráfego de veículos na capital, que visa proteger as mesquitas às sextas-feiras, dia sagrado muçulmano.