ILUSTRADO
Sábado, 09 de Setembro de 2006, 13h:45
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PATRIMÔNIO
Usina e fazendas de outros tempos
A Usina de Itaicy e as centenárias fazendas de Cáceres, Facão e Jacobina, são parte do precioso patrimônio histórico de Mato Grosso
Neusa Baptista
Da Redação
Uma velha usina e duas fazendas centenárias vão se tornar museus ao livre disponíveis à população mato-grossense. As fazendas Facão e Jacobina, em Cáceres, cujo processo de tombamento já começou, devem estar abertas à visitação em 60 dias. Pressa foi o pedido da Secretaria de Estado de Cultura, que solicitou, via ofício, que a prefeitura de Cáceres e a Unemat enviem os dados necessários para o encaminhamento do processo. A expectativa é que a recuperação do casario melhore o visual da cidade, já famosa como ponto turistico do Estado, além de preservar um pedaço imporante da História. Embora as casas estejam em bom estado de conservação, os anexos já estão descaracterizados. O entorno precisa ser recuperado, avalia o secretário de Estado de Cultura, João Carlos Vicente Ferreira. Ele aponta a facilidade do processo de restauração, já que os proprietários também apóiam a iniciativa. A recuperação da Usina de Itaicy, porém, não terá as mesmas facilidades. Serão precisos pelos menos dois anos de trabalho para trazer de volta à vida a ousada construção com tecnologia e equipamentos alemães criada em 1897 por Totó Paes e desativada em 1960. Itaicy já chegou a abrigar uma pequena vila com milhares de habitantes, e teve até moeda própria. Com uma produção de 80 mil toneladas de açúcar/ano e 160 mil litros de aguardente/mês, revolucionou a indústria no Estado. A defesa da usina ganhou até entidade própria, o Instituto do Itaicy, responsável pelo projeto, que está em fase de captação de recursos. A previsão é de um investimento de R$ 5,7 milhões apenas para as etapas emergenciais do restauro, que transformará o prédio num museu a céu aberto. Espero isso sirva como incentivo para outras instituições também buscarem divulgar sua cultura, diz José Marcos Vargas, diretor do instituto. Primeiro patrimônio privado a ser tombado, em 1984, Itaicy tem uma área de 60x20 e três mezaninos. Segundo Vargas, a ação do tempo é a principal causa da deterioração, embora Itaicy seja a única das 11 usinas construídas à época que ainda resiste. Grande parte dessa conservação se deve à sua cobertura, que é de zinco, enquanto as demais eram de telha comum, observa ele. O material, além de proteger melhor das chuvas, não pesa sobre a estrutura. Um artifício de modernidade. Mesmo com toda essa importância, captar os recursos junto à iniciativa privada não tem sido fácil. O prazo é de três anos, mas 20% do valor precisa ser captado até novembro. Diversos contatos com entidades brasileiras e até estrangeiras não resultaram em nenhum resultado positivo. Curso de restauro O cenário deslumbrante da usina de Itaicy será o campo de aulas práticas do curso Metodologia de projeto de Restauro, que acontece nos dias 15 e 16 de setembro, uma parceria entre o Instituto Itaicy e a Escola Paulista de Restauro (EPR). Com carga horária de 16 horas, o curso terá como instrutor o restaurador Francisco Zorzete e a arquiteta Ana Marta Ditolvo, da EPR, e como objeto de estudo a usina. As inscrições estão abertas e custam R$ 500,00 por participante, sendo R$ 450,00 para associados do CREA. Informações: (65) 9979 3495.