NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Terça-feira, 02 de Outubro de 2007, 11h:33

CRÔNICA

Proposta Incandescente

Luis Gonçalves
Especial para o Diário de Cuiabá
O juramento de amor mais cobiçado neste momento é quase uma micro poesia. Vai além de uma cantada espetacular. É bem possível que vá atravessar os anos e entrar na história como a lei do calor. Exagero a parte, mas jamais vi tamanha originalidade em um detalhe tão simplificado. As minas detonam para os manos: “Te curto!”; e eles descarregam: “Té que a chuva nos separe!”. Legal e básico. Depois do estirão da seca Cuiabá voltou a ser aquela terrinha de gente que sofre como a gente. O apetite dos pombos da Praça Alencastro desanda; a sombra diminui e a amada Cidade Verde fica cinza. Às vezes parece que a cidade se transforma em uma fumante inveterada. Expelindo toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. Cuiabá está mais adulta e mais Pop que nunca. Seu trânsito é pesado; quase uma jamanta de som embarcado numa chaleira de erva para chimarrão português. O freguês viaja no ritmo acelerado do metal pesado com a cadência burguesa. O que sobrou do antes nunca fez tanto sentido como agora. Por exemplo: aquele jeito manhoso de amaciar uma boa rede embaixo da sombra de uma mangueira; regado talvez, a base de refresco de tamarindo... Bem, o resto não importa! O assunto inicial se torna sempre o calor. Parece que ninguém suporta o que temos de melhor. Todos reclamam de uma marca registrada pra lá de tradicional. Calor combina com a velha Cuiabá de Pascoal Moreira Cabral. A prosa sempre continua. Assunto é o que não falta. De Nanã a caducando, ainda se pode falar até derrubar beiço. O peixe que era bom agora é coisa de rico, mas sobrou licor de pequi do ano passado. O verde que se pinta de cinza é apenas detalhe de uma maquiagem rápida do Cerrado. Esse tal mutante (re)produtivo que está sempre preparado pelo tempo para uma boa dose de mormaço quente. Já vi tanta coisa que até o céu duvida. Porém, agora pode até faltar água na cidade, mas quando o fogo cresce ali pras bandas da chapada o pessoal faz até mutirão pra dar banho no Cerrado. Só falta encanar o calor e vender pra Bolívia em troca do gás. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado ([email protected])

Edição EDIÇÃO 16958




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL