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Cuiabá MT, Segunda-feira, 16 de Maio de 2022
ILUSTRADO
Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2022, 16h:01

MÚSICA

Projota diz que estão esperando alguém se matar para abolir cancelamentos

Rapper, que lança disco agora, reflete sobre sua passagem pelo 'Big Brother' e a eleição presidencial que se aproxima

PEDRO MARTINS
Da Folhapress - Ribeirão Preto
Projota

Um ano depois de cruzar as portas do "Big Brother Brasil" em direção a uma série de linchamentos virtuais que o fizeram ter medo de perder sua carreira, Projota diz querer "cancelar a cultura do cancelamento".          

  É uma missão que reverbera por parte de seu quinto álbum de estúdio, "A Saída Está Dentro", lançado nesta quinta-feira. Nela, o rapper responde, no flow, às críticas que enfrentou no programa, do qual foi eliminado com 91,89% de rejeição.        

  "Será que eu não vivo as letras que eu já fiz cantar/ ou você só ouviu as partes que quis escutar?/ Falei que eu era um lixo e tá escrito lá", canta em "Volta", a primeira faixa do disco. "O ser humano é falho, hoje mesmo eu falhei/ ninguém nasce sabendo, me deixe tentar/ ouvi dizer que eu estava cancelado/ o seu cancelamento hoje eu resolvi cancelar."          

  É que, nas redes sociais, os espectadores se diziam surpresos por ele ter se unido a outros participantes que quebraram recordes de rejeição, caso de Karol Conká, num grupo que se formou contra outros participantes —entre eles alguns dos que viriam a ser os favoritos ao prêmio, como Juliette, a vencedora.        

  Projota conta que esta não foi a primeira vez em que ele se sentiu rejeitado. Por ter composto letras românticas e feito parcerias com cantores de gêneros tradicionalmente distantes do rap, como Anavitória e Anitta, as críticas já eram tão rotineiras que nada que acontecesse no "BBB" abalaria suas estruturas, ele diz.          

  No entanto, em meio às tradicionais artimanhas que o programa adota para manipular as emoções dos jogadores e dos espectadores, até seu paladar virou alvo de críticas —intolerante à lactose, ele não come queijo. Sua família chegou a ser ameaçada de morte nas redes sociais.          

  "A gente chegou no limite. Se eu não tivesse minha mulher e minha filha, não sei o que teria acontecido", diz Projota, ao lembrar que anos antes do "BBB" enfrentou uma depressão e pensava com frequência em pular da sacada do apartamento em que morava.          

  "Ninguém ainda tirou a própria vida por causa do cancelamento. É triste ver que parece que as pessoas estão esperando isso acontecer para parar com isso."      

  Projota afirma que, para sua grata surpresa, o ódio do público não saltou das telas para o mundo de carne e osso. Nas ruas, onde tinha medo de sair após ter sido eliminado do programa, ele diz que nunca viu um dedo apontado.        

  É com o mesmo raciocínio, no entanto, que o rapper questiona a intensidade com a qual os brasileiros, presos dentro de casa numa das fases mais agudas da pandemia, acompanharam o Big Brother passado.          

  "Tive que refletir sobre como colocamos nossas energias nas coisas erradas. O entretenimento é válido. É válido você cobrar um participante, dizer que se decepcionou, mas por que não cobram da mesma maneira o que está acontecendo no país?"        

  Antenado com uma crise política que pode culminar na eleição presidencial mais polarizada da história do país, Projota diz que esta é uma reflexão à qual ele queria dedicar mais de seu disco, mas as ideias não se saíam bem no microfone.          

  Embora reflita brevemente sobre assuntos como o morticínio causado pela má gestão da pandemia por parte do governo Bolsonaro, "A Saída Está Dentro" não tem nenhuma música que Projota considere "totalmente política".          

"Nunca fiz campanha, mas sempre me posicionei. Minha carreira se posiciona por si", diz. "Queria fazer uma música política. Era um ano que precisava disso, só que eu estava com tantos problemas, minhas próprias dores eram tão grandes, que não consegui."


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