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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 28 de Junho de 2008, 14h:18

CULTURA II

Projetos congelados e discussão virtual

Projetos com pequenos erros precisam ser corrigidos para tramitar. É possível acompanhar toda a conversação sobre a cultura em MT na web

O coreógrafo Kelson Panosso esteve na ALMT e preocupou-se especialmente com a paralisação dos projetos. Quem também esteve na reunião e tem uma visão mais crítica é a produtora cultural Cibele Bussiki. A produtora, que tem trinta anos de atuação na área, foi contundente: ”Acho um retrocesso, perigoso. Promover a mudança é legal, mas tem que olhar para trás. Acho que não é por aí. Fiquei assustada quando disseram que todos os projetos estão errados. Recebi uma cartinha que me deu a sensação de que eu não sei fazer cultura”. Na seqüência, Cibele comenta o problema do Festival de Cinema e Vídeo, do qual é produtora executiva, dizendo que o mesmo sempre captou algo em torno de 250 mil através de projetos complementares, pois seus custos são altos e suas ações são mais amplas, de alcance nacional. Até agora saiu apenas uma parte do recurso e ela espera que os conselheiros da classe e do governo expliquem claramente o que será feito daqui por diante. Tentando entender esta paralisação ligamos para os conselheiros e conseguimos falar com Ademir Binotto de Sinop e Luis Gonçalves da Silva. O primeiro expôs que os problemas gerados no ano anterior e que estão sendo alvo do Tribunal de Contas e Auditoria do Estado, por falta de experiência, motivou esta paralisação para que não houvesse mais erros na prestação de contas, por exemplo. Para Ademir é importante que todos os projetos sejam avaliados juntos porque se os primeiros são aprovados, ou seja, aqueles sem problemas burocráticos, a verba pode acabar e como ficariam os bons projetos que ficaram retidos na teia burocrática. Já Luis Gonçalves foi incendiário. Disse que foi contra a paralisação, que gritou sozinho e inclusive se indispôs com a subsecretária Francielle Leão que, segundo ele, é quem comanda a comissão técnica da secretaria e decide efetivamente o que vai ser aprovado ou não. “Não existe Conselho, existe esta comissão montada pela subsecretária, que é indicada pelo Pagot, e decide o que é certo e errado. Os conselheiros são fracos, e não se impõem. Fica todo mundo quieto com medo da Procuradoria e do Tribunal e os projetos nem chegaram aos conselheiros ainda”. A praça pública é eletrônica Toda esta discussão também vem sendo travada no Fórum Permanente de Cultura. Uma instância eletrônica do Fórum no Google Groups ([email protected]) que inclusive conta com a participação do secretário que vem esclarecendo suas posições dentro daquilo que considera como necessário. Neste fórum eletrônico temos a declaração do artista e produtor cultural Wander Antunes que disse ter recebido a cartinha: “fiquei preocupado quando o carteiro deixou aqui a correspondência com o ofício da SEC. Corri até lá no mesmo dia, o correio passou aqui pela manhã, e até que foi tranqüilo. Tinha uma informação que eu coloquei na descrição, mas que deveria aparecer na planilha. Ainda na planilha, me pediram pra detalhar melhor uns itens. Voltei pra casa, mexi aqui e ali, detalhei e voltei à SEC no dia seguinte. Falei com uma garota chamada Jaqueline, mostrei pra ela onde tinha mexido, perguntei se estava OK, ela disse que sim. Até imaginei que devesse trocar o projeto antigo pelo novo, com as alterações, mas não, ela disse que estava certo, que anexava as mudanças ao projeto e estava tudo certo. Até que não doeu.” Para Zilda Barradas o problema é complicado, pois: “eles pretendem acabar com alguns vícios de preenchimento no caso das planilhas, descrever os detalhes, concordo com isso, mas digo que a leitura fora feita por cima, aleatória, pois algumas coisas pedidas dentro dos ofícios estavam descritas nos projetos. Eles querem datas, mas fica difícil colocar datas se eles não têm prazos para aprovar. Também acho que já chegou a hora da cultura estadual realizar de fato um cadastro dos artistas e produtores porque todos os anos temos que repetir toda aquela ladainha comprovando que somos produtores culturais ou artistas.” Para Jean Campos: “Mais de 1300 projetos inscritos, só que mais de 900 projetos foram devolvidos porque estavam faltando documentos, estavam mal escritos, estavam defeituosos... Nas palavras do Secretário, na sua participação no Seminário da Ação Cultural. Será que somos tão ineficientes assim?? Ou tem alguma coisa que não foi dita? O mais interessante é que só agora que a comissão de avaliação de projetos foi criada, ela que julgará os projetos, mas então, quem julgou os projetos que já foram aprovados? Uai... ah, sim. É que são as mesmas pessoas... só um re-arranjo.” A quem retruca Pitaluga: “Primeiro: Obviamente vocês não são tão ineficientes como você próprio mencionou. Faltou atenção aos pré-requisitos que sempre foram inseridos nos Editais e nunca nenhum Conselho antes atentou. Ninguém pode descumprir normas. Se está faltando documento ou alguma outra coisa, tem que apresentar, senão o projeto nem vai ser julgado. Regra é regra, meu caro. Segundo: Os grupos de trabalho não irão apreciar projetos. Um vai cuidar das prestações de contas dos anos anteriores; outro vai planejar ações para o ano que vem e outro vai receber os ajustamentos daqueles projetos (+ de 900) que estão em exigência. E depois eles passam para os conselheiros. Assim, eles não vão julgar coisa alguma. Grato.” A Praça Pública está na rede. O problema está longe de ser solucionado, mas sem dúvida a discussão e a ampliação do debate são saudáveis e inevitáveis para que possamos, quem sabe um dia, transmitir ao vivo as reuniões do Conselho de Cultura, como propõe o documento da ALMT, sem ser em horário especial e também sem perder o apetite. (C.O.)

Edição edição 16957




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