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ILUSTRADO
Segunda-feira, 06 de Junho de 2011, 21h:16

ENTURMADO

O pernambucano mais mineiro do Brasil

Novelli é um conceituado músico que travou parcerias com célebres nomes da MPB. A exemplo de Simone, teve uma convivência harmônica com a cuiabanada musical

Djair de Barros Silva, 66 anos, pernambucano radicado no Rio de Janeiro, é um dos expoentes do Clube da Esquina – um acontecimento musical que reuniu alguns dos melhores compositores, poetas, instrumentistas e arranjadores do Brasil na década de 1970. Milton Nascimento é o nome mais reluzente dessa constelação “mineira” que tem muitos não mineiros, como Novelli, ou melhor, Djair. Novelli é um homem de muitas histórias a começar pela origem de seu nome artístico, que poucos conhecem. Ele foi crooner de uma banda nascida em Garanhuns (PE-terra natal do presidente Lula), batizada de Nouvelle Vague, em homenagem à “nova onda” do cinema francês da época. Um contrabaixista contratado, Osvaldo Guedes, que acabou ensinando Novelli a tocar contrabaixo, não sabia pronunciar direito o francês e chamava o crooner da banda de “o cantor Novelli” com sotaque nordestino. Djair virou Novelli para sempre. O encontro com a turma do Clube da Esquina – Milton Nascimento, Wagner Tiso, Toninho Horta, Lô e Márcio Borges, Beto Guedes, e muitos outros – aconteceu no Rio, onde Novelli foi morar em 1965. “Em 67, eu já estava bem enturmado, tocava baixo, que aprendi com Osvaldo Guedes, e comecei a gravar com músicos importantes”, recorda. Primeiro ele conheceu o pianista Wagner Tiso e, em 1967, conheceu Milton – o Bituca que saiu de Três Pontas para ganhar o mundo com composições como “Travessia”. Os três moraram juntos e o resto da turma vinha todo fim de semana. Novelli não participou do primeiro álbum “Clube da Esquina”, lançado pela gravadora Odeon em 1972, mas se envolveu com a gravação de “Clube da Esquina 2” como compositor, músico e produtor. “Sou da geração que começou a surgir através dos festivais da Record e do Rio - Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Toquinho e Geraldo Vandré -, mas eu me enturmei mais com a turma de Minas que eles chamam de Clube da Esquina. Na verdade, eu já conhecia os meninos antes de existir o Clube da Esquina. Até hoje acham que sou mineiro. Pouca gente sabe que sou pernambucano”, diverte-se Novelli. Para ele, o Clube da Esquina foi importantíssimo para a música brasileira. “Depois da Bossa Nova, de Tom Jobim, Carlos Lyra, Baden Powell, Vinícius de Morais, Luis Eça, não houve nada mais importante que o Clube da Esquina”. Novelli nunca parou de compor e seus parceiros mais frequentes atualmente são a atual ministra de Educação, Ana de Hollanda, Simone Guimarães e Murilo Antunes, que também era do Clube da Esquina. O artista, entretanto, não tem se apresentado muito em público. “A realidade mudou muito. (...)Tem muita novidade musical, muita pobreza musical e um domínio muito pobre que divulga uma música muito pobre. Não compete a mim dizer que faço isso ou aquilo, compete às pessoas que ouvem música, distinguir o que é uma música boa e o que é ruim. O que existe é música. Compete a cada um julgar se gostou ou não”, diz. Novelli diz que gosta muito de jazz, mas prefere a música brasileira de excelência. “Prefiro muito mais ouvir uma modinha de Villa Lobos do que ouvir o Calypso. Prefiro trilhões de vezes ouvir uma modinha de Villa Lobos do que ouvir Chitãozinho e Chororó. Não tenho nada contra essas pessoas, mas sou contra o comércio que impõe essas pessoas, esse grupos, que dominam o mercado. Agora é a música gospel, junto com o pagode, o sertanejo, axé. Não tenho nada contra isso, mas para mim não fede nem cheira”, comenta o autor de “Reis e rainhas do maracatu (Tema dos Estudantes do Samba de Três Pontas), que ele cantou com Simone Guimarães à luz das estrelas no Jardim do Sesc Arsenal. (M.B.)

Edição EDIÇÃO 16958




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