ILUSTRADO
Terça-feira, 22 de Março de 2011, 20h:37
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ORALIDADE
Narradores em ação
Encontros do Projeto Fuzuê com crianças e adultos estão desvelando um universo rico e pouco explorado, o da contação de histórias
Todas as sextas são dias de festa na Creche Municipal Laís Amicucci, bairro Novo Milênio. A criatividade, a interatividade e a magia da contação de histórias e atividades lúdicas povoam o universo das 46 crianças de 3 a 4 anos atendidas pelo Fuzuê, projeto desenvolvido pela atriz e produtora Mazé Oliveira, uma realização da Funarte (Fundação Nacional de Artes) e da CUFA-MT (Central Única das Favelas de Mato Grosso). Para Rosecléia Aparecida dos Santos, diretora da Creche Laís Amicucci, a idéia de trazer o projeto para dentro da Creche surgiu de uma conversa com Karina Santiago, vice-presidente nacional da CUFA, e Mazé Oliveira; sobre a dificuldade que os educadores têm em contar histórias, apesar dessa prática ser essencial para qualquer pessoa que queira trabalhar com crianças. Já Nayara Del Santo, estudante de Psicologia da UFMT e auxiliar nas oficinas do Projeto Fuzuê, relata: A cada oficina com as crianças percebo o valor imaterial e material da contação de histórias, seu poder em desenvolver a concentração e inteligência nas crianças, pois as atividades lúdicas desde identificação visual das letras que são montadas corretamente até a criação de um mosaico de cores é impressionante, eu não imaginava que contar histórias envolveria diversas habilidades e provocaria nas crianças um bombardeio de ideias, diz ela. ADULTOS Nos adultos esse processo não é diferente. Aos sábados a oficina O teatro na Escola Através da Contação de Histórias, realizada no CECC (Centro Esportivo e Cultural CUFA) no bairro São João Del Rei, atende professores da rede municipal de Educação, profissionais de bibliotecas e creches e pessoas da comunidade. Os participantes estão cada vez mais envolvidos com o campo imagético da contação de histórias. Todos os participantes foram submetidos ao Rito de passagem, isto é: contaram e reinventaram histórias a sua maneira, sem se preocuparem se estavam certos ou errados, pois um dos primeiros passos para ser um contador de história é perder o medo do público.Depois que todos expuseram o seu talento, a responsável da oficina, Mazé Oliveira, convidou os participantes para uma breve análise do foco narrativo da contação de histórias. O importante é entender, a partir de agora, que quando contamos uma história para o público temos duas possibilidades, a primeira é nos colocarmos como o narrador, o que nos posiciona na terceira pessoa do discurso, isto é, ele. Como narrador não participamos da história, nós a apresentamos ao público. Dessa forma, a cada encontro, os participantes estarão mais seguros e entendendo as diversas nuances na construção da Narrativa Oral Cênica, disse Mazé. O Projeto Fuzuê foi o vencedor do prêmio Interações Estéticas Residências Artísticas em Pontos de Cultura 2010, da FUNARTE e está sendo desenvolvido em espaços atendidos pelo Ponto de Cultura Pixaim. O projeto conta ainda com o apoio cultural da Secretaria Municipal de Educação, que proporcionou o lançamento do projeto e fornecerá certificação aos participantes da oficina O teatro na Escola Através da Contação de Histórias. Mais informações pelos telefones 3665 1064 e 9236 9763.