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Cuiabá MT, Terça-feira, 24 de Maio de 2022
ILUSTRADO
Sábado, 14 de Maio de 2022, 19h:02

BRENO SILVEIRA

Luciano Camargo lamenta morte de Breno Silveira: 'Divisor de águas na nossa vida'

Cantor atribui ao cineasta de 'Dois Filhos de Francisco' a conquista de respeito e renovação

Da Folhapress - São Paulo
Luciano Camargo

O cantor Luciano Camargo, um dos dois filhos mencionados no título do primeiro filme de Breno Silveira sobre seu Francisco, pai de Zezé Di Camargo e Luciano, lamentou a morte do diretor precocemente, aos 58 anos, na manhã deste sábado (14), em Pernambuco.      

    "Ele foi um divisor de águas na vida de Zezé Di Camargo e Luciano. Éramos conhecidos, mas não tínhamos o respeito pela crítica séria…. A visão dele do nosso pai, como conduziu… trouxe isso pra nós", disse.        

  "A gente não pode esquecer que Zezé Di Camargo e Luciano, quando ele lançou 'Dois Filhos de Francisco', a nossa carreira já estava consolidada e não tinha muito pra onde ir, era aquilo. Eu não imaginava que alcançaria o que alcançou depois do filme. Foi como se fosse uma renovação. Eu senti, na época, como se eu tivesse sido lançado no Brasil, de tão grande que foi a situação."            

Luciano menciona ainda a renovação de público trazida pelo filme, que levou 5,3 milhões de pessoas às salas de cinema e ganhou outros milhões de espectadores pelas várias vezes em que foi exibido pela TV. O longa chegou a ocupar a liderança no ranking dos filmes mais vistos do cinema brasileiro desde a retomada, por "Carlota Joaquina", longa que contou com Silveira como diretor de fotografia.        

  "Houve uma renovação muito grande de público, porque o que teve de criança que não ia nem gostar de Zezé Di Camargo se não fosse o filme. Se hoje a gente tem um público com média de idade de 35 anos, foi graças a ele", concluiu Luciano.        

  Em abril de 2018, a uma plateia de roteiristas e produtores interessados em ganhar espaço no universo do audiovisual, Silveira contou que Zezé bateu à porta da produtora Conspiração para tentar negociar um filme sobre a sua trajetória com o irmão. E chegou a cogitar tirá-lo do projeto quando o diretor disse que não estava interessado na história dele, mas sim na de seu pai, seu Francisco, cujo enredo o cineasta conheceu após ouvir o longo relato das roteiristas Patrícia Andrade e Carolina Kotscho, que estiveram com seu Francisco e ouviram dele a saga da família desde o interior de Goiás.        

Luciano enviou ainda a seguinte mensagem em homenagem ao cineasta:   "O poeta cubano José Martí dizia: 'Há uma coisa que um homem deve fazer na sua vida: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.' E o que dizer e sentir quando, além desse triplo legado, você ganha de presente divino um filme? Sim, ter o sonho do seu pai, sua história e da sua família, sob a ótica de um gênio, registrando com maestria cada fase de nossas vidas, com emoções e ações. Esse gênio hoje partiu, com imensurável tristeza, mas deixando o legado de quem fez da arte a sua forma de viver. E se foi num set de filmagem, cenário onde seu olhar transcendeu o seu espaço e tempo, marcando a sua passagem pela Terra. Deus te receba no Céu, querido Breno!"


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