Acho que uma das diversões prediletas dos terráqueos seja ir ao cinema. Quem não gosta de ver um bom filme que aguce nossos sentidos? Com o passar dos anos a gente vai ficando um pouco mais exigente. Hoje em dia, carros velozes, tiroteios, explosões e coisas do gênero já não mais me chamam atenção. No quadragésimo ano desta minha ingênua existência física, a película tem que cumprir alguns requisitos obrigatórios. Um deles é a trilha sonora. Em nossa última e já saudosa estação das chuvas em Cuiabá fui pela, quiçá, trecentésima vez ao cine ver o surpreendente O Perfume. Ao final do longa-metragem, quando a trilha desperta um certo senso estético, fico vendo a ficha técnica subir para conhecer quem foi o compositor e a orquestra intérprete. De repente e casualmente, eu estava acompanhado naquela oportunidade, do nosso ilustrado jurista Prof. Viégas. Ele que compartilha também deste curioso rito investigatório. Pois bem, a obra de arte em forma de livro que resenho hoje, certamente integrará a biblioteca desses letrados apreciadores da sétima arte. Então, o tomo: A Música do Filme: tudo que você gostaria de saber sobre a música de cinema tem autoria de Tony Berchmans. Da querida Vila Mariana de minha infância, vem o livro lançado pela editora paulista Escrituras. São variadíssimas 191 páginas em dez capítulos, que devido ao seu rigor técnico (in)formativo, dota-se da envergadura intelectual de uma tese de doutoramento. Adorável leitura recomendada para estudantes e profissionais da comunicação, em particular, do jornalismo cultural. E por que não dizê-lo, aos cineastas mato-grossenses, além dos músicos amantes de trilhas sonoras para o cinema? O valor científico dado à temática ao longo do livro, valeu um prefácio feito por Rubens Ewald Filho, um dos maiores especialistas em cinema internacional de toda a América Latina. Berchmans é músico e compositor pós-graduado que opera no mercado de produção fonográfica. Esta obra, cujo título é extremamente sugestivo, na realidade, cumpre bem todas as suas promessas. Pois, apresenta conceitos introdutórios sobre a força dramatúrgica da música. Desenvolve um rol de compositores de sua especial admiração. Fala de uma seleção marcante de trilhas inesquecíveis de todos os tempos. A pedagogia musical de Tony ainda encontra versatilidade para historiar a música de cinema de todas as décadas: 30, 40, 50, até os anos 80, 90 e os nossos atuais dias. As reflexões deste mestre alcançam com arremesso a tecnologia sound design e estudos sobre gravação, mixagem e exibição. Enfim, resulta que o livro é um perfeito guia de música para cinema, endereçado também aos colecionadores de trilhas sonoras. Sábado passado, a noite cultural cuiabana foi premiada com um concerto gratuito da Orquestra Giovanile Italiana. O grupamento apenas é formado por instrumentos de sopro e percussão, sem o naipe das cordas. Na verdade, assemelha-se mais a uma banda marcial, daquelas de coreto no domingo pela tarde. Fui conferir esta apresentação do grupo musical da região do Piemonte (Província de Turim), que se deu no largo da Igreja São Benedito. Motivado pela leitura do livro de Tony Berchmans, esperava ouvir alguma trilha sonora composta pelos italianos Ennio Morricone, ou quem sabe, Nino Rota. Porém a coisa toda ficou na linha operística convencional do tipo pastrofe de Puccini, Verdi, Albinoni e Rossini. Rondeles, espaguetes e macarronadas à parte, o que me causou espécie, foi a disposição geográfica do palco que ficou emparedada (leia-se, espremida) entre a igreja e a alvenaria das casas vizinhas. Além das prováveis 500 cadeiras brancas de plástico, todas devidamente ocupadas. Em realidade, caso houvesse um incidente ou tumulto no local, não haveria rotas de fuga. E a multidão, em situação de risco eminente, não contaria com qualquer amparo, pois a frente do palco apenas dava acesso a uma considerável escadaria, e a quase distante rua. Esta, metros, metros e metros, lá pra cima, atrás da igreja, também abarrotada de gente em pé. Creio que esse tipo de espetáculo deve sofrer um planejamento mais cauteloso com estudo prévio in loco. Isto porque não havia o devido e necessário espaço para circulação do numeroso público presente. Um evento como esse não pode dispensar a vistoria do nosso respeitável Comando do Corpo de Bombeiros da Capital. Felizmente, nada aconteceu e podemos aplaudir a bela iniciativa das instituições promotoras da noite cultural. O registro jornalístico aqui feito é pela prevenção em prol da cidadania e não, por uma vulgar maledicência! Voltando ao livro, observa-se que ele suplanta em muito a mera curtura interneteira cotidiana sobre cinema. Talvez um dia, ele possa se tornar um CD rom educativo. Ou mesmo um DVD documentário (que está bem na moda), sobre a arte da trilha sonora cinematográfica. O exemplo vem de escritores como o cineasta e violinista francês Bruno Monsaingeon que dirigiu diversos trabalhos sobre a arte do violino, do piano, da regência. Tony Berchmans apura seu estilo apresentando pesquisas sobre sites recomendados e lista de ganhadores do Oscar de todos os tempos. Na obra se pode ler sobre os bastidores da convivência entre vários diretores e seus compositores contratados como Steven Spielberg e John Willians, ou Stanley Kubrick e Alex North, entre outros. Taí, o livro está indicado. Sugere-se também o sitio na Web da Editora Escrituras que apresenta uma variada gama de obras muito interessantes. E tenham todos uma boa leitura! Serviço: O que é? Livro: A Música do Filme: tudo que você gostaria de saber sobre a música de cinema. Autor: Tony Berchmans. Editora: Escrituras. Onde: www.escrituras.com.br *Ney Arruda é professor, músico e advogado cuiabano (
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