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ILUSTRADO
Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009, 20h:20

Música

Lenda viva do tango

O violoncelista José Bragato, junto com Piazzolla, revolucionou o tango e tem autorização para arranjar e publicar qualquer de suas obras

O DC Ilustrado traz uma mini entrevista especial com o homenageado desta semana em concertos da Orquestra do Estado de MT: José Bragato. Nascido na Itália em 1915 e vivendo na Argentina desde seus 13 anos, um dos mais influentes compositores da America Latina, o violoncelista José Bragato foi responsável, ao lado de Astor Piazzolla, pela revolução do tango argentino na década de 50 e integrou importantes orquestras e grupos camerísticos pelo mundo. Sua obra será homenageada pela Orquestra do Estado de Mato Grosso (OEMT) nos dias 14, 15 e 16 de agosto, no teatro do Sesc Arsenal, com participação especial do violoncelista Antonio Del Claro, sempre às 20 horas. Bragato e Piazzola tiveram uma das mais belas amizades que se tem notícia no meio artístico argentino. Esta relação privilegiada fez Piazzolla dar a Bragato, em 1986, uma autorização vitalícia para arranjar e publicar qualquer de suas obras. Tudo por escrito e registrado em cartório. Com profundo conhecimento na obra do maestro argentino, o violoncelista, compositor e arranjador José Bragato renova constantemente a música de seu grande amigo, o que, em suas palavras, deixa a música de Piazzolla sempre atual. Aos 94 anos, e com uma simpatia singular, José Bragato falou por telefone [direto da Argentina, onde vive com a família] sobre os concertos da OEMT que ocorrem esta semana, em sua homenagem, sobre sua intensa relação com Astor Piazzolla e sobre a revolução do tango ao lado de seu grande amigo, na década de 50. Confira! Para começar, o que o senhor pensa sobre a apresentação da Orquestra de Mato Grosso em sua homenagem, aqui no Brasil? José Bragato - Estou muito honrado e contente com este concerto no Brasil, principalmente por saber que o grande violoncelista Antônio Del Claro, meu amigo pessoal, participará como solista. Para ser honesto, gostaria de estar presente neste concerto e aproveitaria para visitar um grande amigo que vive no Rio de Janeiro, o violoncelista Alceu de Almeida Reis. Aproveito para dizer que ando muito contente com a música do Brasil. O senhor foi um dos revolucionários do tango, ao lado de Piazzolla. Como se deu essa revolução e como era sua relação com o maestro argentino? José Bragato - Vivi ao lado de Piazzolla momentos inesquecíveis. Na década de 50, para ser mais preciso em 1955, formei ao lado de Piazzolla o Octeto Buenos Aires. Começava ali a revolução do tango. Nesta época, o tradicional tango argentino era formado por 32 compassos. O tango que Piazzola apresentou ao mundo chegava a 500 compassos. Uma verdadeira revolução... Compreende o que isso significa para a música? Imagino! Mas e sobre sua amizade com Piazzolla? José Bragato - A partir do Octeto Buenos Aires, ficamos muito amigos. Uma amizade forte e sincera. Éramos amigos pessoais e amigos na arte. Ainda hoje me empenho em arranjar suas obras. E que a música de Astor Piazzola ainda seja escutada por muito tempo, que chegue ao ano 2020... E a 3000 também, como era de seu desejo.

Edição EDIÇÃO 16958




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