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ILUSTRADO
Segunda-feira, 03 de Setembro de 2012, 21h:15

EM CARTAZ

Experimental e poético

‘Exílios’ é uma proposta que insere o audiovisual na arte contemporânea e está formatada em exposição, no Pavilhão das Artes

O resultado do trabalho realizado pela artista carioca, Paula Trope, em Mato Grosso, desde o dia 23, com gravação de depoimentos de pessoas de Cuiabá, Santo Antônio de Leverger e Chapada dos Guimarães, está formatado na exposição “Exílios”`, em cartaz no Pavilhão das Artes desde a última sexta (31). Entre os depoimentos estão os de Dona Domingas, presidente da Associação Flor Ribeirinha; e o da poeta Luciene Carvalho. A exposição permanece no local até o final deste mês e pode ser visitada no período vespertino, sempre das 13 às 18 horas. A abertura, na sexta-feira passada, foi precedida de palestra do crítico de arte, Moacir dos Anjos. O projeto é fruto do edital Rede Artes Visuais, da Funarte e tem a parceria da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso e Sesi. “Exílios” resulta do projeto ‘Relicários - Revendo Brasis’. Ele é experimental e reúne os dispositivos câmera escura, fotografia e vídeo e tem como mote lançar um olhar de natureza poética sobre a invenção do Brasil. Na última quinta (23) Trope gravou com Dona Domingas. Segundo a artista, enquanto país aglutinador de diferentes culturas e etnias e nação herdeira das histórias e dos imaginários dos mais diversos povos que a originaram, o projeto serve para que haja apresentação dessas vozes por elas mesmas, em sua diversidade e pluralidade. Também objetiva propiciar ao público uma experiência lúdica com o fenômeno ótico elementar de formação da imagem, numa época que valoriza grandes avanços tecnológicos no campo da visualidade. Relicários veio a Cuiabá para contatar diferentes situações territoriais e grupos humanos. O projeto, afirma Trope, consiste na construção de uma câmera escura gigante, aqui chamada de Câmera-luz, que percorreu os principais pontos históricos da cidade e outros locais significativos, e convidou a população, através de chamadas públicas, a rever essas paisagens, como um aparato deflagrador de sentidos. “A Câmera-luz possui um pequeno orifício que projeta no ambiente e sobre os observadores a imagem da paisagem exterior, invertida e de cabeça para baixo. Essa situação propicia aos participantes uma vivência singular com a imagem, clarificando e desmistificando seu processo de formação. As pessoas foram convidadas a gravar ali seus depoimentos”, revela a artista. Nesse projeto, a população foi estimulada a rever as memórias do lugar onde vive, partilhar preocupações, sonhos e perspectivas. Seus depoimentos foram dados dentro da câmera-escura onde os depoentes também apresentaram fotografias de seus ancestrais. “Será feita a tentativa de localizar, entre os habitantes, descendentes dos grupos humanos fundadores da cidade, caso isso ainda seja possível”, esclarece Paula Trope. Por último, Relicários se propõe repensar a noção de brasilidade, assumindo a perspectiva apontada por Júlia Kristeva em Etrangers à nous-mêmes: o estrangeiro está em nós. A coordenadora do Pavilhão das Artes, Magna Domingos, informa que a parceria vem ao encontro da necessidade de inserir Mato Grosso no mapa das artes do Brasil e propiciar o intercâmbio. “Trazer artistas como Paula Trope é uma ação importante no sentido que coloca o Estado na contemporaneidade do mundo afora”, destaca. Além da intervenção provocada pela circulação da câmera-escura nos espaços públicos da cidade, o projeto também realizou a oficina Experiência de Imagem, sobre o uso da câmera escura e da fotografia com câmera de orifício na arte. Na abertura, a criadora falou sobre sua trajetória artística, abordando alguns projetos realizados. Paula Trope é artista visual, formada em cinema pela Universidade Federal Fluminense, Mestre em Técnicas e Poéticas em Imagem e Som pela Universidade de São Paulo. Na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, frequentou os cursos de Eduardo Brandão, Fernando Cochiaralle, entre outros. Expôs no Brasil e no exterior desde o final dos anos 80. É professora de Fotografia e Artes, tendo feito parte do corpo docente da EAV de 1986 a 1996, onde coordenou o Núcleo de Imagem Técnica. Premiada no Panorama da Arte Brasileira 1995, no 5º Programa de Bolsas Rioarte, 2000 e no Prêmio CNI-SESI Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas, 2004. Em seu trabalho, assume uma postura crítica em relação à própria câmera e à prática artística, considerando as características técnicas, formais e institucionais envolvidas.

Edição EDIÇÃO 16958




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