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ILUSTRADO
Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009, 20h:24

Cáceres Cidade Portuária

Quando Luiz de Albuquerque formulou as diretrizes para a navegação fluvial entre Mato Grosso e São Paulo, o grande Capitão-General tinha em mente que Cáceres seria, dentro do esquema por ele concebido, a chave da navegação fluvial com a terra bandeirante. Com efeito, o desenvolvimento urbano da então Vila Maria, Fundada em 1778, teve início com a abertura da navegação pelo rio Paraguai, conseguindo a Freguesia a sua emancipação em 1859, quando foi criado o município, e, quinze anos mais tarde, 1874, a elevação da sede municipal à cidade, com o nome de São Luiz de Cáceres, em homenagem ao Santo Padroeiro, e ao fundador, Luiz de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, lusitano de elevadas qualidades intelectuais, morais e administrativas. A navegação fluvial firma-se entre Cáceres e Corumbá, ao sul, com variantes para Cuiabá, a nordeste, e Barra do Bugres, ao norte, dinamizando toda a região ribeirinha povoada de sítios, fazendas e estabelecimentos de produção agropecuária, bem como as atividades extrativas. Nesse contexto vale lembrar o papel importante dos afluentes do rio Paraguai nas proximidades da cidade de Cáceres: Sepotuba, Cabaçal e Jauru, este último, de vital importância na época colonial como meio de comunicação entre Cuiabá e Vila Bela, a capital da Província, e cujo domínio Portugal defendeu a todo custo; Cabaçal, notável pelas suas riquezas minerais; e o Sepotuba, criador de núcleos importantes de produção. Na mesopotâmia do Paraguai e seus afluentes cujos estuários se encontram mais próximos, viveu Cáceres um ciclo de prosperidade que lhe proporcionaram as relações comerciais no interior do Município e em outras praças dentro e fora do Estado e até com o exterior. O móvel da ligação das atividades econômicas e sociais eram as embarcações, tendo à frente, numa visão retrospectiva, o Vapor ETRURIA – navio símbolo de Cáceres, seguido de inúmeras lanchas, pranchas, batelões, canoas... Se, como disse E. Roquette-Pinto, “um rio caracteriza uma região melhor que uma montanha”, podemos dizer que a nossa Urbe, situada no ponto mais alto navegável do caudaloso Paraguai, nasceu, como previu Albuquerque, com a vocação de Cidade portuária. Essa tendência, hoje, está sendo utilizada para mais altos objetivos. O nosso porto, após a ligação das bacias hidrográficas Amazônica e Platina através da rodovia Cuiabá-Rondônia, passa a ser não só de Cáceres, mas de Mato Grosso, tomado de nova dinâmica no intercâmbio comercial com os demais da hidrovia Paraná-Paraguai, permitindo o desenvolvimento do sistema intermodal de transportes tão próprio para um vasto país como o Brasil, rico de recursos hídricos. Começou Cáceres, na visão de Albuquerque, como “Chave da navegação fluvial com São Paulo”. Hoje transforma-se lentamente a nossa cidade em um porto aberto para o mundo. Natalino Ferreira Mendes Cadeira 15

Edição EDIÇÃO 16958




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