NA HORA
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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007, 21h:28

CRÔNICA

Alfinetes dourados

Luís Gonçalves
Especial para o Diário de Cuiabá
Negócio de ocasião. Geralmente é uma barbada. Empresa especializada em infra-estrutura, oferece consultoria em obras de pequeno e grande porte. Dá-se garantia do serviço enquanto durar o estoque. Coloca a disposição das propensas empreiteiras um currículo invejável de soluções simples que poderão vir a somar no momento de fechar qualquer tipo de negociações com as contratantes. Dicas gratuitas para uma boa apresentação. Por exemplo: fuja das licitações. Procure meios legais que possam livrá-los desse tipo de desgaste desnecessário. Negocie diretamente com os donos das obras. No momento tenha sempre em mãos algumas propinas agendadas dentro de um patamar condizente com a situação. Caso tenha que antecipar os pagamentos, faça com discrição, mas não abra mão dos juros. Procure manter sempre a disposição dos agentes contratantes alguns mimos capazes de fazê-los pensar melhor. Invista em capitais sofisticados e sutis, tais como: passagens áreas e jipes importados. Não economize na hora de fechar o negócio. Pelo valor da obra pode-se pensar na dimensão do lucro. Lembre-se: sempre haverá intriga da oposição por isso invista em comunicação. A publicidade é a alma do negócio. Para evitar assombros ao término da obra tenha sempre em mãos um acompanhamento jurídico de qualidade. Procure elaborar um contrato que restrinja qualquer apelação contrária. Dois dias antes da assinatura do contrato presenteie a parte contratante com uma nova lente da marca vôte. Diga que veio das Américas. Preencha os campos minados do documento com letras invisíveis. Durante a solenidade exceda no discurso e abuse dos agradecimentos. Depois leia um velho texto de um antigo contrato onde tudo que se fazia cumpria. No final coloque um lambadão pra despistar os repórteres. Deixe claro que não se responsabiliza por falha no aquecimento global. Assegure que isso pode danificar os equipamentos utilizados. Gerando dano aos cofres públicos. A menos que a população entenda que não é possível realizar o trabalho sem o devido lucro. Preço a discutir sem alarde. Se o trabalho ficar pela metade deve haver uma placa decorativa mantendo a data do início das obras. Caso tenha dificuldade na negociação apele para o fundo de campanha. Às vezes funciona. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado ([email protected])

Edição EDIÇÃO 16958




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Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
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