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ILUSTRADO
Quarta-feira, 14 de Março de 2007, 21h:08

ARTES PLÁSTICAS

A vanguarda de Mato Grosso

Cinco artistas plásticos, dos mais atuantes de Mato Grosso, abrem a exposição nesta quinta. São Pinturas, instalações, fotografias, objetos etc

ADRIANA NASCIMENTO
Da Reportagem
Uma arte que enfrenta o seu tempo. É o que o público vai ver na exposição Circuito Panorâmico, que começa hoje na Galeria de Artes da Secretaria de Estado de Cultura sob a curadoria do artista plástico Gervane de Paula, e abriga pinturas, instalações, fotografias e objetos numa condensada arte de vanguarda. “O que se vê aqui é a arte que vai nortear os caminhos dos artistas pelos primeiros 20 anos do século 21”, definiu o curador. Na lista estão artistas inquietos e preocupados em dar um novo rumo a suas obras. “No geral, o que se encontra em termos de arte pelo Estado, são artistas que criam utilitários com ênfase no regionalismo. Mas esses que estão na exposição se encontram em outra modalidade. Colocam ao público uma arte que tem uma proposta de reflexão, de que experimentar é o caminho”, contou o curador. Estão lá: Adir Sodré, Benedito Nunes, Gervane de Paula, Jonas Barros, Regina Pena, Telio Donizeth, Valcides Arantes e Vitória Basaia. Para Gervane não se pode fechar os olhos ao que a arte se transformou, em algo desmaterializado. A arte hoje experimenta muito e é efêmera. Deixou de ser um produto para continuar como proposta e idéia. A questão regional nesse cenário, conforme ele é um ponto de partida e não de chagada. Em sua instalação “Droga de arte”, Gervane aborda o tema Tuiuiú, ícone mato-grossesne que vem se tornando lugar-comum tamanha a sua utilização. Estão nessa instalação um grande tuiuiú de pedra, um painel com fotos e pinturas que utilizam-se do pássaro, ele em estofado e ele em pára-brisa para mostrar, que onde quer se que esteja, sempre há esta recorrência. Numa contestação dessa grande utilização está a peça “Moedor de tuiuiús”. Tanta utilização deste tema, segundo o artista, é uma arte que vicia e faz mal. Portanto, uma droga de arte. É uma nova observação deste pássaro já observado a exaustão. Na instalação cujo autor é Adir Sodré, o veículo utilizado é a fotografia de Raimundo Reis. Numa seqüência de cerca de 12 fotos o artista mostra a atriz, poeta e cantora performática Bia, nua, sentada numa cadeira com motivos Sodreanos. Na abertura da exposição, no meio das paredes em que estão expostas as fotos, estará a cadeira e a atriz, do modo como está nas fotografias, nua. Este será o primeiro nu ao vivo dentro das artes mato-grossenses. Jonas Barros apresenta quatro peças: uma pintura (obra ganhadora do Salão Jovem Arte de 2006) e três objetos inéditos da série “Bichos”. São três conceitos que remetem à natureza feitos em chapas de ferro. Foram feitos, conforme Barros, no momento em que o artista experimenta uma nova faceta e sai da pintura para os objetos. O primeiro dos três objetos, que apresenta vazada a palavra “Mato” ele explica que pensou em intervir na natureza em escalas monumentais e causar impacto. “Questiono no meu trabalho a estética e a plasticidade”, comentou. Segundo Barros, os objetos fazem parte de uma série de 12. Mas o restante só pode ser mostrado em ocasiões específicas dentro de um contexto e não soltos para observação. “Todos os objetos estão acompanhados de um conceito que só podem ser percebidos em certos momentos, como é o caso desta exposição”, esclareceu. Ele contou que fez a opção pelas cores quentes nos trabalhos expostos porque Mato Grosso reflete luz o ano todo. Então nada mais justo que isso refletisse na arte também. Regina Pena apresenta ao público uma profusão de imagens. Benedito Nunes traz fotos de intervenções dele na paisagem da cidade e peças reinventadas a partir de sucatas. Basaia instalou suas obras, sempre chocantes, num cenário negro, que interroga o público e faz pensar. Telio Donizeth apresenta um jogo de pedras que giram ao sabor de cada vôo de inventividade e ousadia do artista para o público. Arantes apresenta a reinvenção da natureza em cores de morte revestidas de reflexões. Mas falar sobre uma obra é sempre muito subjetivo. Só visitando o Circuito Panorâmico é que o público terá noção de para onde vai a cuiabanidade artística. SERVIÇO O QUE: Exposição Circuito Panorâmico QUANDO: 15 de março, 20h e até 15 de abril das 8 às 18h ONDE: Galeria Mato-grossense de Artes Visuais – Avenida Getúlio Vargas, 247 QUANTO: Entrada franca

Edição EDIÇÃO 16958




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