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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 26 de Julho de 2008, 13h:12

CRÔNICA

A filosofia e o cara de lata

Jê Fernandes
Especial para o Diário de Cuiabá
Confesso de alma e corpo presente, com a consciência sã e o coração batendo à força de pílula recomendada pelo cardiologista Adena, a minha disposição e contentamento em filosofar e imaginar a vida de prismas diferentes e olhares oblíquos. Isso desde criança, quando fui alimentado de livros pelo meu irmão Domício, que dizia ser comunista, mas entendi com o tempo que ele apenas clamava por justiça social. Assim como Silva Freire, Raimundo Nogueira, Anterinho (não esse que esta aí) e tantos outros poucos. Eles são do tempo que “comunistas comiam crianças”. Ele, meu irmão, fez com que eu enveredasse pelo caminho dos livros políticos e sociológicos. Mas, não foi só com ele que aprendi a filosofar ou ficar zanzando com a imaginação. Lembro-me do professor Francisval de Brito. Dava aula sobre Filosofia. Certo dia ele me deu um exemplo. Para mim e o resto de colegas que freqüentava o primeiro ano científico. Ele ensinou-me que cada um de nós é um ponto invisível na imensidão deste mundo. Portanto, sozinho somos nada. Com a professora Dunga Rodrigues aprendi a ter admiração e respeito profundo e choroso ao Hino Nacional. Foi ela quem me disse, certa vez, que ao escutar um hino da sua pátria fora do seu país, ele nos faz sentir forte e orgulhoso. Mais tarde, já como profissional, nas minhas viagens a alguns países vizinhos, senti isso no coração e lembrei da professora Dunga. Com o professor Gastão Muller, que dava aula de História Geral, criei o respeito a nossa língua. Ele nos aconselhava a falar o português, seja lá onde estivéssemos. Os outros é que tinham de nos entender. Alguns professores me ensinaram alguma coisa sobre a vida que hoje eu faço uso. Não posso esquecer do padre Primo, bondoso e caridoso. Era o padre dos alunos pobres no Colégio Salesiano São Gonçalo. Foi lá, também, que aprendi, ainda novo, que embora dentro de um colégio de fundo religioso havia separação de classes. Os aprendizes tinham um pátio para merendar e os ricos outro. Dali eu passei a ver o mundo de outra maneira “o mal fantasiado de bem e o bem com forma de mal”. E continuo filosofando sobre as coisas da vida. As mudanças que o próprio homem impõe a ele quando mexe com a natureza tirando dela, não o excesso natural, mas o que ela própria necessita para dar vida a todos nós. Mas existem coisas que eu não entendo até hoje. Por exemplo: qual foi o motivo que aquela professora, ainda no primário, me chamou de “cara de lata”. Até hoje olho no espelho querendo ver e entender a ”cara de lata” que vive em mim. Jê Fernandes é jornalista, radialista, poeta, cronista, conversador fiado e colabora com o DC Ilustrado (E-mail: [email protected])

Edição edição 16957




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