ESPORTES
Sábado, 05 de Fevereiro de 2005, 12h:53
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FUTEBOL CARIOCA
Zebras se apóiam no Carioca
A "mão invisível do mercado desapareceu. Ao menos no Estadual do Rio. Além de o governo estadual subsidiar os ingressos com a Promoção "Gol de Placa, que troca notas fiscais por entradas na compra de raspadinhas de R$ 1, os líderes do torneio têm relações fortes com o poder público. O Volta Redonda, que bateu o Vasco em casa, na quarta-feira, e lidera o grupo A da Taça Guanabara, é praticamente uma estatal da prefeitura homônima: 40% do orçamento do clube jorra dos cofres da "cidade do aço, que fica a 112 km do Rio de Janeiro. A última reforma do seu estádio, o Raulino de Oliveira, foi bancada por verbas municipais e federais. O prefeito que pagou a conta, Antônio Francisco Neto (PMDB), também foi presidente do clube de Volta Redonda. A outra sensação do torneio, o Americano, tenta se descolar da imagem de Eduardo Viana, o Caixa D'Água, presidente afastado da federação do Rio e torcedor do time, mas irá demorar um bom tempo para sair da sombra do ex-governador Anthony Garotinho. A relação, aliás, vem deixando o clube em maus lençóis. Isso porque o Americano é de Campos (279 km da capital carioca), cidade natal do ex-governador e marido da atual mandatária do Estado do Rio, Rosinha Matheus. O problema é que as últimas eleições municipais foram vencidas por Carlos Alberto Campista, que faz oposição ao grupo político de Garotinho. Resultado: a verba para o clube, que era de R$ 100 mil reais, minguou para R$ 32 mil. O presidente do time de Campos, Luiz Cesar Gama, não revela o quanto este valor representa para as finanças da equipe. Há 12 anos no comando do Americano, Gama ressalta a importância do valor ao relatar o motivo pelo qual recusou uma proposta de patrocínio ao clube. "Se eu aceitar a ajuda do governador, a quem eu conheço há um tempão e é meu amigo, a prefeitura tira o dinheiro'', afirma Gama. "Não posso aceitar porque não sei até quando o governo estadual ajudará o time, continua. A Cabofriense, que divide a liderança do grupo B com o Americano, é outro que vive às expensas do Estado. O presidente de honra do clube, Alair Corrêa, também é ex-prefeito da cidade, Cabo Frio (distante 150 km da capital), e dá nome ao estádio onde a equipe manda suas partidas no torneio. Embora o time diga que busca a independência financeira, a reforma de seu estádio, o Correão, está orçada em R$ 1 milhão, valor pago pela prefeitura da cidade. Outro fator que depõe contra o clube é que o atual presidente da equipe, Valdemir Mendes, acumula a função com o cargo de secretário de Serviços Públicos do município. Além disso, é primo do atual prefeito, Marcos Mendes, que por sua vez faz parte do mesmo grupo político de Corrêa. A independência, por isso, vem em termos bastante estranhos. "É a prefeitura quem convence os empresários da cidade a patrocinar a equipe, afirma Valdemir. No Estadual dos pequenos, o Estado, até agora, faz a diferença.