ESPORTES
Quarta-feira, 11 de Julho de 2007, 19h:58
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Seleção feminina de futebol abre os jogos hoje
EDUARDO MALUF
Da Agência Estado Rio
As arenas não estão 100% prontas em suas partes internas. Mesmo assim, o Pan tem início hoje, um dia antes da realização da Cerimônia de Abertura. O pontapé inicial será dado pelas meninas do futebol. Entram em campo, primeiro, Equador e Jamaica, às 13 horas. O Brasil estreará às 14h30, contra o Uruguai, no moderno Estádio João Havelange. O povo carioca ainda não se mobilizou completamente para os Jogos, que custaram mais de R$ 3 bilhões aos cofres públicos. Fala-se do evento nas ruas, mas falta empolgação. A seleção brasileira, que se classificou para a final da Copa América, na Venezuela, ofusca um pouco o início das disputas. Mas todos apostam que o entusiasmo logo estará presente. Principalmente depois da Cerimônia de Abertura e do início das competições mais procuradas, como a ginástica artística. A equipe feminina de futebol terá a honra de abrir o Pan. E encara o confronto com o Uruguai como uma decisão. Não que um resultado negativo vá comprometer muito a possibilidade de classificação. Mas esta quinta é a grande chance de as garotas aparecerem. Elas não terão, afinal, a concorrência de outras modalidades e serão focalizadas por todas as emissoras de tevê que compraram os direitos de transmissão. "É um jogo muito importante para nós, e as meninas têm consciência disso", disse o técnico Jorge Barcellos, de 40 anos, há três no futebol feminino. A humildade e a simplicidade das jogadoras contrastam com a badalação da seleção principal masculina. A média salarial é baixíssima, o País não tem nenhum campeonato de bom nível e patrocínio quase não existe. Com exceção da época de Pan, Olimpíada e, talvez, Mundial, as atletas vivem no ostracismo. E, em sua maioria, não acreditam em mudança no futebol brasileiro. Depois da prata olímpica, em Atenas-2004, esperavam que as coisas melhorassem. Nada, porém, ocorreu. "A gente sempre fica esperando, mas nunca acontece nada, isso nos deixa chateadas", lamenta a atacante Cristiane. Quem quiser disputar uma competição decente precisa sair do País Aline, zagueira titular, por exemplo, recebe R$ 250,00 por mês, além de alimentação, para jogar pela equipe de Salto. Em países europeus, nos Estados Unidos e no Japão as condições são bem melhores. Do time que entrará em campo nesta tarde, seis atuam fora: a goleira Andréia (Espanha), a lateral Simone Jatobá (França), a volante Rosana (Áustria), a meia Formiga (EUA), além das atacantes Pretinha (Japão) e Cristiane (Alemanha). Cristiane, aliás, começou a crescer na carreira justamente no Pan. Há quatro anos, em Santo Domingo, foi a heroína do título ao marcar o gol da vitória por 2 a 1, na prorrogação, em decisão contra o Canadá. "Aquela final e a medalha em Atenas foram os meus melhores momentos." Depois da boa participação na Olimpíada de Atenas, foi para a Alemanha, onde hoje atua no Wolfsburg - renovará o contrato por mais um ano. Lá vive num bom apartamento ao lado da colega Paula Seu salário não se compara ao que se paga no futebol masculino, mas é suficiente para levar uma boa vida e ajudar a família, que mora em Osasco. "Mas a adaptação na Alemanha foi muito difícil, no inverno o frio é pesado, sofro bastante", disse a paulista, de 22 anos. À ESPERA DE MARTA - A seleção estréia nesta quinta sem sua estrela. Por causa de compromissos em seu clube, o Umea, da Suécia, a atacante Marta só se apresentará amanhã. Se estiver bem fisicamente, jogará no sábado, contra a Jamaica. Hoje, a escalação será: Andréia; Aline, Renata Costa e Tânia; Simone Jatobá, Maicon, Daniela Alves, Formiga e Rosana; Pretinha e Cristiane. A melhor do mundo, aos 21 anos, é a grande atração do futebol no Pan. O Brasil tem amplo favoritismo contra a equipe uruguaia, sem tradição na modalidade. Os dois times estão no Grupo A, com Canadá, Equador e Jamaica. O primeiro e o segundo colocados garantem vaga na semifinal. As principais concorrentes das brasileiras são as canadenses e as norte-americanas, atuais campeãs olímpicas.