ESPORTES
Sábado, 09 de Setembro de 2006, 13h:41
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BASQUETE
Seleção aposta em veteranas para conquistar o Mundial
ADALBERTO LEISTER FILHO
Da Folhapress São Paulo
A seleção feminina aposta em veteranas para reconquistar o título do Mundial de basquete, que volta a ser disputado no Brasil depois de 23 anos. A média de idade do time que estréia contra a Argentina na terça, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, é uma das mais altas da competição: 27,9 anos. Dez das 13 atletas do elenco atual - o técnico Antonio Carlos Barbosa ainda definiria o último corte - têm experiência em Mundiais ou Olimpíadas. Como comparação, no masculino, quem utilizou base jovem se destacou no Mundial. Dois times rejuvenescidos decidiram o título da competição, encerrada há uma semana, no Japão. A Espanha, com média de 25 anos, derrotou a Grécia, de 25,8 anos, na final. A aposta do Brasil parece arriscada. Especialmente porque seus principais adversários no torneio estão rejuvenescidos. É o caso de Rússia (24,6 anos), Austrália (24 anos) e República Tcheca (23,3 anos). Até os EUA, bicampeões mundiais e tricampeões olímpicos, são mais jovens: 26,9 anos. As norte-americanas, ao menos, irão sentir a falta de seu principal ícone. Lisa Leslie, 34, que participou de todas as conquistas de sua seleção nos últimos dez anos, pediu dispensa alegando problemas familiares. Se o time norte-americano perdeu uma de suas duas veteranas do Mundial de 1994 - só restou Sheryl Swoopes, 35 -, o Brasil ainda cultiva quatro remanescentes do elenco campeão há 12 anos, na Austrália: Helen, 33, Janeth, 37, Cíntia Tuiú, 31, e Alessandra, 32. Dessas, apenas Helen perdeu o status de titular, mas desempenha função como a sexta jogadora. Mas quem ainda está em quadra admite: não mantém o mesmo fôlego de antes. O quarteto lembra com saudade da conquista de 1994, quando surpreendeu o mundo ao bater os EUA nas semifinais, por 110 a 107. Na final, o time superou a China. "Foi meu primeiro ano de titular. Parecia um sonho'', afirma Alessandra. No último Mundial, na China, faltou sorte: o Brasil perdeu Micaela, que sofreu fratura no tornozelo esquerdo às vésperas da estréia, e disputou a competição com 11 jogadoras. Não bastasse isso, ficou fora da disputa por medalhas e amargou duas derrotas seguidas, para Coréia do Sul e China, por diferença de um ponto. Helen prefere se lembrar de outras campanhas mais felizes. "Na Olimpíada de Sydney [em 2000], não fizemos uma campanha brilhante, mas ganhamos medalha. Soubemos perder na hora certa'', aponta. Na ocasião, o Brasil obteve quatro vitórias e quatro derrotas. Ainda assim, levou o bronze.