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Quinta-feira, 25 de Março de 2010, 22h:21

Ronaldo pede desculpas por gesto obsceno para torcedores

MARCEL RIZZO
Da Agência Estado – São Paulo
A decisão de que Ronaldo pediria desculpas para a torcida por ter mostrado o dedo do meio a alguns torcedores em Barueri foi acertada ainda na madrugada de ontem. A ordem partiu do presidente Andrés Sanchez e o Fenômeno concordou. Na nota oficial distribuída pelo clube logo pela manhã, o centroavante diz que o gesto foi dirigido a um homem específico, que o xingou, e ele pediu desculpas se outros torcedores se sentiram ofendidos também. Não era para ser assim. "Jamais faria tal gesto para a torcida do Corinthians, que me adotou aqui." As opiniões no clube se dividiram entre defender o craque e o repreender. O capitão William condenou a atitude: "Nada justifica o gesto que ele fez. Ele sabe disso." Já o diretor de marketing Luís Paulo Rosenberg passou a mão na cabeça do atleta. "Ninguém tem sangue de barata. Ele foi ofendido e tudo piorou quando falaram de sua mulher." GOTA D’ÁGUA - Quando deixava o vestiário da Arena Barueri em direção a seu carro, Ronaldo foi chamado de "gordo", "caneleiro", de "estar roubando o Corinthians". Irados, os torcedores lembraram o episódio ocorrido com ele em 2007, quando esteve com dois travestis em um motel do Rio. A história dos travestis teria sido a gota d’água, além de relacionarem o fato à sua mulher, como relatou Rosenberg. Dos 20 torcedores que o cercavam, a maioria queria tirar fotos. Eram cinco apenas que o cobravam e foi para esses que Ronaldo fez o gesto.Emerson Teixeira, um dos que criticavam o atacante, questionava a diretoria por ela permitir o relaxo do jogador com sua forma física. Até hoje Ronaldo não chegou ao peso considerado ideal para atuar em bom nível, que seria de 93 quilos. Membros da Gaviões o acusam de "largar" a preparação física por saber que não vai para a Copa, e achar que, mesmo acima do peso, pode decidir no Paulista e Libertadores contra beques fracos tecnicamente. LIBERDADE - Desde que chegou, em dezembro de 2008, Ronaldo faz o que bem entende no Parque. Ele sabe que, num primeiro momento, o Corinthians o contratou para ganhar dinheiro e isso está dando certo. Foi fechado acordo de patrocínio de R$ 45 milhões. Ocorre que o jogador não suporta períodos longos de concentração e só respeita Andrés Sanchez, que bancou sua contratação - o acordo, na época, foi fechado no banheiro de um restaurante no Rio, quando os dois se levantaram da mesa em que estavam outros dirigentes. Somente Sanchez o controla, e mesmo assim parcialmente. Em junho de 2009, a delegação estava concentrada em Curitiba, no fim de semana anterior à final da Copa do Brasil contra o Inter. Sábado, Ronaldo não enfrentou o Atlético-PR (os titulares foram poupados) e à noite ele se vestia para sair quando o presidente foi avisado por um segurança. Sanches chegou correndo ao quarto do Fenômeno, que avisou que não aguentava mais concentração. O dirigente quase se ajoelhou para pedir que não fizesse isso, pois havia jornalistas hospedados no hotel. Avisou que Ronaldo poderia ir à sua suíte, beber um pouco, relaxar, mas que não saísse. De cara fechada, Ronaldo desistiu. Colocou uma bermuda e foi dormir. Dois dias depois, reclamou da concentração. RODÍZIO - Mano Menezes desistiu do rodízio. Lançado como a grande sacada do clube para temporada, e motivo para a contratação de vários jogadores experientes, o revezamento não deu certo. O próprio técnico admitiu isso. Contra o São Paulo, domingo, Mano vai colocar em campo o que tiver de melhor. William, Dentinho e Danilo, por exemplo, devem jogar. Ronaldo? Está confirmado. "O técnico tem de assumir sua responsabilidade na parte tática. Algumas escolhas, alguns encaminhamentos, não funcionaram bem. É complicado você mudar cinco jogadores por jogo como estamos fazendo. Não te dá um padrão. Algumas vezes foi por necessidade, outras por escolha", disse o treinador. Uma das principais críticas feitas ao Corinthians neste ano é a falta de um time titular bem definido. Nos três jogos da Libertadores, competição mais importante do ano, Mano até ensaiou essa equipe, com dois volantes fixos (Jucilei e Ralf), Elias mais solto, Danilo na esquerda e dois atacantes (Ronaldo e Jorge Henrique ou Dentinho, que jogou contra o Cerro Porteño). O problema é que, no duelo seguinte, o time mudava de novo e, aí, adeus, entrosamento. "É importante compreender os erros para não cometê-los mais. O importante é que temos tempo. Estamos bem classificados na Libertadores e não podemos jogar a toalha no Paulista", afirmou o treinador.

Edição EDIÇÃO 16958




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