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Quinta-feira, 17 de Junho de 2010, 20h:57

Maradona exalta a força do grupo argentino

DANIEL AKSTEIN BATISTA E WILSON BALDINI JR.
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
Diego Armando Maradona não esconde seu estilo protetor na condução da seleção argentina. Não se vê o treinador chamar a atenção de seus atletas de forma contundente nos treinamentos ou jogos. E isto ficou claro ontem, após a goleada imposta por seu time sobre a Coreia do Sul, por 4 a 1, no estádio Soccer City, em Johannesburgo, em partida válida pelo Grupo B do Mundial da África do Sul. "El Diez" mais uma vez adotou a forma "paizão" para responder às questões de que seu sistema defensivo já falhou de forma demasiada neste Mundial. "Não concordo quando apontam problemas em minha zaga. Não vi a Coreia [do Sul] ter uma situação clara de gol no segundo tempo", analisou. Sobre o erro do zagueiro Demichelis, que originou o gol dos sul-coreanos, Maradona, de novo, minimizou o ocorrido: "Aquilo não nos afetou. Tivemos a bola ao nosso prazer. Fomos melhores o tempo todo". As estatísticas sobre a partida apresentadas pela Fifa mostraram exatamente isso. No primeiro tempo, os argentinos tiveram 62% do tempo com a bola nos pés, enquanto que no fim do jogo o levantamento apresentou que a posse de bola argentina foi de 56% "Vencemos com justiça e de forma implacável. Por tudo que estamos fazendo na concentração e nos treinos, merecíamos uma vitória como esta. Quero felicitar as minhas 23 feras." Ao invés de falar da insegurança demonstrada por Demichelis após a falha no gol sul-coreano ou da participação desajeitada de Gutierrez, Maradona preferiu destacar os atos corretos de seu sistema defensivo. "Sabíamos que a Coreia [do Sul] iria levantar bolas na primeira trave nas cobranças de faltas. Nos posicionamos de forma correta e nosso adversário não nos incomodou em nenhum momento", argumentou. Bem-humorado, o treinador brincou com um jornalista inglês, que lhe perguntou sobre sua maneira de cumprimentar os jogadores. Ao final do jogo, Maradona foi até o meio do gramado do Soccer City para se encontrar com os seus atletas. Beijou e abraçou cada um deles. "Eu gosto de mulher", disse ao sorrir encarando o jornalista. "Não sou daqueles que quebram a munheca." Mais sério, completou. "Não acho que se consegue melhorar algo com multas ou castigos. Tenho um grupo sensacional e discutimos até problemas familiares". Durante o jogo, Maradona travou muitas discussões com Jung Moo Huh, técnico da Coreia do Sul. A cada falta coreana, Maradona esbravejava. Ao que Huh devolvia. Na falha de Demichelis, apenas pôs as mãos na cabeça, para depois aplaudir, como forma de incentivo. E apesar de não revelar publicamente as falhas de sua zaga, a maioria das vezes em que falou com seus jogadores foi para alertar o posicionamento ou a marcação de seus defensores. O próximo jogo e último da primeira fase da seleção argentina será diante da Grécia, segunda-feira, em Polokwane. Nesta partida, Maradona não poderá contar com Gutierrez, que recebeu o segundo cartão amarelo, e Samuel, com uma lesão muscular. AMBIENTE - Seguranças, policiais e voluntários: ninguém se entende. Ontem, o jogo entre Argentina e Coreia do Sul no Soccer City demonstrou novamente o problema sobre desorganização na Copa do Mundo. O trânsito não esteve ruim como na estreia do Mundial, entre África do Sul e México. Mas, era só chegar perto do estádio para a bagunça reinar. Barreiras policiais proibiam a entrada de quem não estava credenciado para trabalhar nas partidas - e mesmo quem tinha autorização sofria com as informações desencontradas. Voluntários da Fifa já não sabem mais o que fazer. Mesmo solícitos, muitos deles não conseguiam passar informações corretas para torcedores e jornalistas - até por que eles não as tem. Nesta quinta-feira, a reportagem do Estado demorou mais de 20 minutos apenas para chegar ao estacionamento da imprensa: a cada parada, uma novo bloqueio e uma outra orientação. Jornalistas sem bilhetes também têm entrado facilmente nos estádios da Copa do Mundo - a fiscalização é falha. Já os torcedores sem ingressos são barrados na porta. No Soccer City, centenas de crianças sul-africanas puderam acompanhar a vitória argentina nesta quinta. A Fifa distribuiu ingressos para escolas e ajudou a lotar o maior estádio do Mundial. Nas arquibancadas, fanáticos torcedores argentinos dividiam espaços com fãs de todas as outras seleções. Todavia o que chamava mais a atenção eram as bandeiras com as cores do país sul-americano e fotos de Maradona, espalhadas por todos os locais. Faltou espaço para tanto fanatismo. VOLTA PRA CASA - Um grupo de 17 torcedores vai voltar para a Argentina mais cedo. A polícia sul-africana informou que eles foram detidos na quarta-feira em um hotel em Pretória por provocar um tumulto no país. Outros dez 'barra bravas' já haviam sido deportados anteriormente.

Edição EDIÇÃO 16958




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