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ESPORTES
Sábado, 03 de Julho de 2010, 17h:27

Jogadores brasileiros sucumbem ao sono somente às sete da manhã

ROBSON MORELLI
Da Agência Estado - Port Elizabeth, África do Sul
Para Andrés Sanchez, o chefe da delegação do Brasil na África do Sul, era fundamental dar uma resposta à nação sobre o fracasso do time na Copa do Mundo. Era preciso um ponto final na história. Por isso ele foi o maior incentivador, ainda no vestiário do estádio Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth, para que os jogadores enfrentassem o caminho tortuoso da zona mista, de cara limpa e como homens que são, onde um batalhão de repórteres do mundo inteiro os esperava com perguntas de todos os tipos. Ninguém ficaria para trás. Os 23 de Dunga manteriam a união até a última caminhada, a mais terrível delas: a das explicações. E assim foi feito. Antes de eles saírem do vestiário, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, pediu a palavra. Fez isso quando a maioria dos jogadores ainda estava chorando copiosamente, alguns em sua última Copa, outros ainda na primeira. Teixeira agradeceu o empenho do grupo, o comprometimento de todos durante os 44 dias de preparação e disputa e disse que a vida de todos ali não podia parar com aquele fracasso. Não cobrou nada. Era preciso levantar a cabeça e seguir. Ricardo Teixeira permanecerá na África do Sul por mais alguns dias. Sua preocupação se volta agora unicamente para o lançamento oficial da Copa do Mundo de 2014, que será no Brasil. O evento de transição de um Mundial para o outro acontecerá em Johannesburgo na próxima quinta-feira, com a presença do presidente Lula, Pelé e o ex-atacante Romário, além de uma série de outros convidados do País. Nos próximos dias, ele e o diretor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, conversarão também sobre outra transição, a do técnico Dunga. É preciso escolher o treinador para os amistosos do segundo semestre e o primeiro já está marcado para agosto - contra os Estados Unidos, em Nova York. É um novo ciclo que se abre na seleção. O presidente da CBF falou pouco. Preferiu poupar o grupo estava destruído pelos cantos do vestiário. Como também estava Dunga, sempre tendo Jorginho ao seu lado. Rodrigo comentou na manhã deste sábado nunca ter visto tamanho sofrimento em seus 21 anos de carreira. A volta de ônibus do estádio para o hotel foi em silêncio absoluto. E assim permaneceu até o jantar, todos juntos, quando o goleiro Julio Cesar se levantou na mesa e começou também ele a agradecer a competição que todos haviam feito. Houve mais choro, mais abraços, a última dose de incompreensão com o que havia acontecido horas antes, a derrota para a Holanda. Julio Cesar focou o bom primeiro tempo do time, com gol e pelo menos duas jogadas para acabar com o jogo. O resto foi fatalidade, tentou consolar os companheiros. Dunga também se encorajou para dizer algumas palavras. Dentre tudo o que poderia dizer, preferiu ressaltar o resgate do "patriotismo" e do amor dos jogadores em vestir a camisa da seleção brasileira. Seu último pedido foi para que todos voltassem juntos para o Brasil e não se dispersassem como ocorreu após o fracasso na Alemanha, em 2006. Foi sua última alfinetada nas coisas de Weggis. Ninguém dormiu depois. Todos permaneceram em seus quartos, conversando, vendo na tevê o vídeo teipe da partida, os melhores momentos mostrados à exaustão pelos canais de esportes da África do Sul. A maioria só conseguiu cochilar quando o sol de Port Elizabeth, laranja como a cor da Holanda, estava nascendo, lá pelas sete da manhã.

Edição EDIÇÃO 16958




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