ESPORTES
Sexta-feira, 09 de Julho de 2010, 22h:11
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Felipão mostra desejo
Se a diretoria do Palmeiras liberar, Scolari não vê problemas em voltar a dirigir a seleção para a disputa do Mundial de 2010
WAGNER VILARON
Da Agência Estado São Paulo
Nos arredores de Johannesburgo, onde descansa ao lado da família, Luiz Felipe Scolari não gostou do disse-que-disse que envolveu seu nome após a eliminação da seleção brasileira do Mundial da África do Sul e da consequente demissão de Dunga. Com seu jeitão curto e grosso, o pentacampeão do mundo deu a receita de como o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, deve agir caso deseje contratá-lo. "Terão de negociar com o Palmeiras. Não vou romper meu contrato. Se o clube liberar, tudo bem", afirmou Scolari a alguns amigos, na quinta-feira. Em princípio, fica a impressão de que Teixeira precisa de um gesto simples para definir o novo comandante da seleção brasileira. Mas a realidade não é bem assim. A relação entre CBF e Palmeiras esfriou em abril, durante a disputa pela presidência do Clube dos 13. Na oportunidade, o presidente alviverde, Luiz Gonzaga Belluzzo, não aceitou os galanteios de Teixeira, que buscava votos para Kléber Leite, e votou em Fábio Koff, desafeto declarado da cúpula da CBF. A relação entre Teixeira e Felipão também nunca foi das mais próximas. O temperamento forte de ambos, reforçado pelo fato de Scolari não ser adepto de manuais de conduta, provocou incompatibilidade de gênios. A vitoriosa campanha na Copa do Mundo de 2002 facilitou o convívio na época. No entanto, algumas rusgas permanecem. E isso ficou claro na África do Sul. Felipão foi convidado para o evento de lançamento do Mundial do Brasil, realizado na quinta, em Johannesburgo, com a presença de celebridades e chefes de Estado, entre eles o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Scolari decidiu não ir. E para ter um álibi e não sofrer pressão para comparecer ao evento, resolveu viajar com a família por cidades próximas. A ideia é voltar para Johannesburgo neste sábado ou domingo pela manhã. Contratado por um canal de televisão sul-africano, o técnico comenta a final da Copa do Mundo antes de voltar para o Brasil. EXCLUSIVIDADE - Outro detalhe que desagradou Felipão na última semana foi o fato de Teixeira ter vazado para a imprensa que exigirá exclusividade do novo treinador logo no início do trabalho. Scolari entende que não haveria problema nesse momento, pois são quatro anos até a Copa. Além disso, a CBF já abriu precedente com Vanderlei Luxemburgo, que em 1998 acumulou a função no Corinthians e na seleção brasileira. Felipão ouviu de pessoas próximas que Teixeira estaria se sentindo pressionado pela opinião pública para contratá-lo. "Tivemos acesso a algumas pesquisas que mostram que a preferência dos torcedores pelo Felipe oscila entre 46% e 48%", revelou à Agência Estado um dos principais interlocutores de Scolari no Brasil. "É difícil para qualquer um não atender a esse apelo público. Criaria um desgaste de imagem muito forte". A alternativa encontrada pela direção da CBF para não confrontar a torcida, já impaciente depois da frustrante passagem da seleção pela África do Sul, seria criar empecilhos para o acerto com Felipão, como a imposição da exclusividade. AGENDA - Scolari se apresenta ao Palmeiras no próximo dia 15. Seu auxiliar técnico e homem de confiança, Flávio Teixeira, o Murtosa, já trabalha na Academia de Futebol, onde prepara o terreno para a chegada do treinador. A reportagem procurou nesta sexta Belluzzo e o vice-presidente de futebol do Palmeiras, Gilberto Cipullo, para comentar a situação de Scolari e a possibilidade de liberá-lo para a seleção. Nenhum deles, porém, retornou as ligações. Dirigentes ligados à presidência que estiveram nas tribunal do Palestra Itália durante o amistoso desta sexta contra o Boca Juniors, asseguraram que toda a montagem do grupo para o segundo semestre é comandada por Scolari. Para eles, é improvável que a diretoria libere o treinador para assinar com a CBF.