ESPORTES
Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010, 09h:25
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LIBERTADORES
Começa o sonho do título corintiano
Ronaldo volta ao time e vai ter como companheiro de ataque o argentino Defederico, que ganhou a preferência do técnico Mano
MARCEL RIZZO
Da Agência Estado São Paulo
A palavra obsessão foi a mais ouvida pelo elenco do Corinthians este ano. Obsessão pela Libertadores, único título de expressão que falta ao Memorial do clube, localizado na entrada do Parque São Jorge. Hoje, às 20h50, contra o Racing uruguaio, no Pacaembu, começa a campanha na competição continental. Se não bastasse ser o sonho de dez entre dez torcedores em qualquer época, 2010 é o ano do centenário. Seria a cereja no bolo na comemoração pelos 100 anos do clube. "A Libertadores se tornou essa obsessão para o brasileiro, e consequentemente para o corintiano, porque ela pertence a poucos", analisou Mano Menezes. "Lá atrás, os estaduais eram valorizados porque poucos tinham ganhado. Depois foi o Brasileiro. Lembro, lá no Sul, que o Inter venceu três até o Grêmio ganhar. E valia muito", lembrou o treinador. Para os corintianos, esse desejo é maior porque seus três principais rivais em São Paulo já têm a taça em suas salas de troféu. "A gente dá bom dia para qualquer corintiano e ele responde Libertadores", brincou Roberto Carlos. Ou não brincou? Tanto Mano Menezes, quanto os jogadores, sabem que o Racing vai jogar retrancado. É a característica dos uruguaios. E a torcida vai pegar no pé se demorar muito para sair o gol. "Sabemos disso Por isso precisamos neutralizar essa possível retranca". Para isso, Mano Menezes vai escalar um time mais leve, como mesmo definiu. Apesar de ainda deixar no ar a possibilidade de escalar Iarley, durante os 30 minutos do trabalho tático realizado nesta terça quem jogou no ataque, ao lado de Ronaldo, foi Matías Defederico. O pequeno argentino vai ser a arma para entortar os gringos e garantir os gols. Ele entra na vaga de Danilo, que está machucado e fora da estreia. A PRIMEIRA FASE - O Corinthians participa pela oitava vez de uma Libertadores. Somente uma vez não passou da primeira fase, em 1977. Mas é justamente esta etapa da competição que tira o sono de Mano. Em 2007, o Grêmio, time que dirigia, só se classificou para as oitavas aos 37 minutos do segundo tempo, ao marcar gol contra o Cerro Porteño, do Paraguai - coincidentemente outro rival do Grupo 1 este ano. O terceiro adversário é Independiente Medellín, da Colômbia. "A Libertadores é um torneio. E como todo torneio não permite erro. O importante é vencer os jogos em casa e somar pontos fora Na fase final, tomar cuidado com os gols fora de casa, que tanto nos atormenta", ensinou Mano. O gol marcado em território inimigo é critério de desempate nas fases finais, com exceção da decisão. O estádio hoje vai estar cheio, mas provavelmente sem os 37 mil corintiano da carga total colocada à venda - o preço alto, de R$ 200 a R$ 500 - afastaram alguns corintianos que comprariam na bilheteria. A arquibancada, a R$ 50, acabou ainda na venda para os sócios torcedores do clube. O elenco do Racing de Montevidéu embarcou ontem para São Paulo, onde enfrentará hoje o Corinthians. Em sua primeira participação no torneio interclubes mais importante do futebol sul-americano, os jogadores não esconderam sua intenção de surpreender Ronaldo, Roberto Carlos & Cia. em pleno Pacaembu. O time uruguaio chegou à fase de grupos após eliminar, na pré-Libertadores, o Junior de Barranquilla, da Colômbia. A equipe é dirigida por Juan Verzeri e seu principal destaque em campo é o jovem meia Matías Mirabaje, que organiza as principais jogadas ofensivas. Neste ano, o time não começou bem no Torneio Clausura do Campeonato Uruguaio, somando cinco pontos em seis partidas (está a nove do líder Peñarol). No último fim de semana, com uma formação reserva, perdeu por 3 a 0 para o Cerrito. CORINTHIANS Felipe; Alessandro, Chicão, William e Roberto Carlos; Ralf, Elias, Tcheco e Jorge Henrique; Defederico e Ronaldo. Técnico: Mano Menezes. RACING Jorge Contreras; Rodrigo Bradesco, Héctor Hernández, Ignacio Pallas e Danny Tejera; Federico Vega, Santiago Ostolaza, Darío Flores e Matías Mirabaje; Néstor Silva e Líber Quiñones.