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Cuiabá MT, Quarta-feira, 29 de Junho de 2022

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Sábado, 30 de Abril de 2022, 00h:00

ROGER MACHADO

Com Bolsonaro há uma autorização para o racismo, diz Roger Machado

Técnico do Grêmio conta que já teve sua capacidade de gestão questionada por ser negro

RODRIGO ALMONACID
Da Folhapress - São Paulo
Roger Machado

O técnico do Grêmio, Roger Machado, um dos poucos treinadores negros no comando de um clube do futebol brasileiro nas principais divisões nacionais, disse que o discurso do presidente Jair Bolsonaro dá autorização para o racismo, para o qual pede resistência.

Com passagens por Palmeiras, Fluminense e Atlético-MG, Roger, 47, conta que sofre com o racismo estrutural de um país que aclama seus jogadores negros, mas coloca obstáculos para os que querem ser treinadores.

Na vitória gremista sobre o Operário-PR nesta quarta-feira (27), pela Série B do Campeonato Brasileiro, o técnico gaúcho disse ter recebido insultos (com adjetivos pejorativos, segundo ele) direcionados à sua esposa e às suas filhas.

 

P - Por que há tão poucos treinadores negros no Brasileiro?

RM - O futebol revela o que somos como sociedade. A representatividade da população negra em outras áreas é muito parecida com a do futebol. Quando negros e brancos decidem ascender na pirâmide social, os filtros começam a aparecer. São os filtros da ideologia que criou o racismo e que atribui ao negro uma condição de menor inteligência, menor capacidade de liderança e gestão, justamente as competências de um treinador de futebol.

 

P - Quais atos racistas você enfrentou até se tornar treinador?

RM - O racismo velado, à brasileira, esse que construiu um falso mito de uma 'democracia racial' na qual, em teoria, não havia racismo nem preconceitos no Brasil. A discriminação sistemática, estrutural, é outra, muito mais complexa. Nos meus primeiros trabalhos como treinador, muitas vezes, quando era demitido, questionavam a minha capacidade de gerir grupos, sendo que essa era uma das grandes capacidades que eu sempre tive como jogador, como liderança, como capitão.

 

P - ONGs alertam para o crescimento de atos racistas nos estádios brasileiros. Você tem percebido isso?

RM - Aumentam da mesma forma que os atos discriminatórios na sociedade. (...) Os que acreditam estar perdendo parte de seus privilégios nessa rede que o racismo construiu durante 500 anos reagem de forma mais agressiva. É um processo relacionado com uma cultura de ódio que vivemos com muito mais força nos últimos quatro anos no Brasil. Mas não é uma situação regional, é global.

 

P - Bolsonaro é responsável?

RM - Os indivíduos [racistas] que estavam escondidos [porque a sociedade os reprimia] se sentem autorizados a se manifestar segundo as posturas e pontos de vista do líder da nação, [porque estes] são convergentes. Temos que resistir, porque sua intenção é que retrocedamos, e isso não podemos permitir.

 

P - Atletas e treinadores deveriam se posicionar mais fortemente?

RM - Como atletas somos treinados para não sairmos do campo (...) Há muitas formas diferentes de se manifestar. A questão é que a maioria de nós, lamentavelmente, tem um nível de escolaridade mais baixo porque o país não privilegiou nossa educação plena. Isso também impacta na nossa consciência (...) Em nossa construção ideológica para debater esses assuntos.

 

P - É possível eliminar o racismo do futebol?

RM - Imediatamente, não. Mas é possível se começarmos a discutir o assunto abertamente, sendo conscientes de que haverá maiores atos de discriminação devido a um movimento de resistência. Haverá um grupo que não vai mudar porque acredita ser de uma raça superior (...) Mas isso já foi discutido para outros assuntos, como quando a mulher decidiu ocupar novos espaços na sociedade. O preconceito foi muito forte. No entanto, houve coragem para debater o tema. O que não podemos é ficar escondidos atrás do mito da 'democracia racial' no Brasil.s são constantes.

 


1 COMENTÁRIO:







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Jose  01-05-2022 19:25:32
Essa e briga do bolsonaro tem com STF e sentir o dono do Brasil para falar o que vem na cabeça e passar por sim de quem opor alguém seu

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