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ESPORTES
Sábado, 05 de Fevereiro de 2005, 12h:47

FUTEBOL E CARNAVAL

Calendário restrito reduz folia

Jogadores paulistas estão com pouco tempo para poder curtir as festas de momo. Treinam durante o carnaval

MÁRVIO DOS ANJOS
Da Agência Folhapress - São Paulo
Em 2005, depois deste dia feliz, outro dia não virá, parodiando a "Manhã de Carnaval”, de Luiz Bonfá e Antônio Maria. Jogadores se acabando nas passarelas do samba e exibindo habilidades no pandeiro, técnicos em camarotes de cervejarias ou em viagens para litorais paradisíacos - tudo isso já pertence a outros carnavais. Um calendário ainda lotado fez os clubes reservarem somente o domingo de Carnaval - quando muito - aos jogadores dos clubes de São Paulo. Quando a ordem é o profissionalismo, a cadência do samba dá lugar ao duro "um, dois” dos preparadores físicos. Para os times que voltam a ter rodada no Paulista já na Quarta-Feira de Cinzas, a folia abreviada é essencial para manter o trabalho físico dos jogadores, que tiveram só cinco dias de pré-temporada, graças à conquista na Justiça das férias de 30 dias seguidos. Por isso, os técnicos recomendaram a seus comandados que se divirtam sem excessos. "Jogador de futebol não é operário nem artista. É um atleta e precisa se portar como tal”, afirmou Oswaldo de Oliveira, que recomendou bom senso aos jogadores. Entre as rodadas de SP, o time começa a preparação para encarar os 3.600 m de altitude de La Paz quando for enfrentar o Bolívar, pela Libertadores, no dia 16. O pensamento de Oliveira foi corroborado pelo colega Emerson Leão. No São Paulo, a folia para os jogadores não está vetada, desde que com moderação. O técnico disse que não proibiu nenhum atleta de pular o Canaval, mas o seu recado foi direto. "O jogador é um profissional da bola e, portanto, tem que ter um comportamento exemplar. Na minha época, quando tinha treino cedo, eu não dormia tarde, pois os meus reflexos ficavam mais lentos”, disse o ex-goleiro. Questionado sobre o fato de algum atleta são-paulino ser flagrado em desfile de alguma escola de samba, o treinador disse que não pretende ser radical. "Tem que prevalecer o bom senso. O cara não pode é desfilar em 12 escolas ou de madrugada. Acho que tem que haver bom senso. Depois, quem não tiver bom senso não vai poder cobrar a camisa de titular”, disse Leão, fazendo jus ao seu histórico como comandante disciplinador. A Libertadores também faz parte dos seus planos, mas o time só estréia na competição em 3 de março, contra o Strongest (BOL). Se depender de Grafite, o recado do comandante está mais do que assimilado. "Vou aproveitar para relaxar um pouco e descansar. Estamos iniciando um campeonato, e o time está na liderança”, falou o atacante. Uma postura sensata num ano em que a luta de vaga no ataque do Morumbi será dura, com a boa fase de Diego Tardelli e a recuperação de Luizão. No geral, os jogadores parecem ter entendido bem os recados dos técnicos. No Santos, o lateral Léo e volante Fabinho afirmaram que seus planos de domingão seriam em casa, com a família. "Sou carioca, mas nunca fui muito de Carnaval. Gosto de assistir pela TV, mas não sou de muito agito”, disse Fabinho. O único santista que prometeu dar uma curtida de leve foi Deivid. O atacante só volta à cidade do time amanhã, depois de descansar ao seu modo. "Vou ficar aqui em Atibaia [onde o time se concentrou durante a semana passada], vai rolar uma brincadeira "light'. Vai dar para tomar um "biricotico”, disse o jogador, que não é de ferro. Times cujas torcidas têm escolas de samba, como o Palmeiras, tomaram cuidados. "Antes que perguntem, não vou desfilar, vamos concentrar”, disse Lúcio. O clube foi mais longe. Até sexta, a decisão era condicionar a folga de domingo a um bom resultado no jogo de ontem, contra a Portuguesa Santista, realizado após o fechamento desta edição. Tanta precaução tem razão de ser: na Quarta-Feira de Cinzas, o time decide sua sorte na Libertadores, no mata-mata preliminar com o Tacuary, do Paraguai. Os outros grandes clubes armaram suas programações de forma parecida: folgam hoje e retomam os trabalhos amanhã. No Corinthians, o "baladero” Tevez vai poder curtir mais de seu primeiro Carnaval como ídolo corintiano, pois só treina hoje à tarde. No São Paulo de Leão, não teria moleza: lá, o treino será integral. Edmundo já aprontou - Em seu primeiro fevereiro na Fiorentina, o atacante Edmundo era ídolo da torcida, mas não conseguia ser titular. Irritado, deixou o time e viajou ao Brasil no Carnaval de 1998. Sua verdadeira intenção era negociar sua volta ao Vasco, para aparecer e ir à Copa, mas um desfile na Unidos da Tijuca levou torcedores, dirigentes e jogadores à loucura. Naquele fim de semana, a Fiorentina fazia jogo decisivo com a Juventus pelo Italiano e não tinha o craque Batistuta, machucado. "A mentira de que Edmundo foi ao Brasil resolver problemas com a Justiça faz com que todos riam de nós”, disse à época o ídolo argentino. No Rio, ídolos desfilando na Sapucaí são tão comuns que, na década de 90, até o técnico Vanderlei Luxemburgo, hoje no Real Madrid, mostrava seus dotes de sambista na passarela. Em São Paulo, a overdose de samba já criou problemas para Viola em 1998, quando jogava no Santos. O atacante desfilou em seis escolas, o que levou o técnico Leão a lhe passar um castigo exemplar. "Mandei ele catar umas folhas do nosso gramado. Eu dei uma ajuda, fiquei lá olhando, apontando”, contou o técnico. A última confusão de Carnaval envolveu o técnico Oswaldo de Oliveira no ano passado. Ele se envolveu em discussão com uma modelo na Sapucaí. Neste ano, o técnico passará sua folga em Santos.

Edição edição 16957




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