ESPORTES
Terça-feira, 02 de Março de 2010, 21h:26
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AMISTOSO DA SELEÇÃO
Brasil bate a Irlanda no último teste
Robinho foi o grande astro da partida, marcando um gol e participando do outro na vitória brasileira contra a Irlanda
DANIEL AKSTEIN BATISTA
Da Agência Estado Londres, Inglaterra
O amistoso entre Brasil e Irlanda tinha tudo para ser burocrático, sem graça, como a maior parte dos jogos sob comando de Dunga. Mas a seleção redescobriu o futebol de Robinho. Solto, irreverente e atrevido, ele até pedalou na vitória, por 2 a 0, de despedida da equipe, antes da convocação final, em maio, para a Copa do Mundo. Fez um bonito gol e foi meio autor de outro, o primeiro, em que chutou cruzado e um zagueiro da Irlanda, Andrews, apavorado, tratou de finalizar o trabalho a favor dos brasileiros. "Deixei uma boa impressão", disse Robinho, à beira do gramado do Emirates Stadium, em Londres. Mais do que isso, o atacante deixou para trás meses de futebol apático no Manchester City e um período conturbado por causa também de uma lesão no tornozelo. Foi quem deu as cartas do amistoso, com arrancadas, passes precisos, chutes perigosos e o gol, contemplado com um passe de calcanhar de Grafite. Dias depois de trocar a Inglaterra pelo Santos e se juntar a uma geração promissora, liderada por Neymar, Robinho pode, a partir desta terça, agitar as bolsas de apostas sobre o papel do Brasil no Mundial. Basta repetir a atuação que teve com os irlandeses a partir de 15 de junho, dia da estreia da seleção na Copa, contra a Coreia do Norte. O amistoso em Londres mostrou outras virtudes do time. Michel Bastos garantiu a posição de titular na lateral esquerda. É desinibido, apoia com competência e defende bem. Dunga preferiu manter o jogador do Lyon os 90 minutos e deu assim uma pista de que Gilberto, no banco nesta terça, estará na África do Sul. Até porque não analisa seus atletas apenas pelo o que produzem nos jogos. Para permanecer com Dunga na seleção, eles têm de se destacar nos treinos e se comportar nas viagens - chegar atrasado nas refeições, nem pensar. Como na véspera já afirmara que o grupo estava fechado, num gesto que pode ser interpretado como um cartão vermelho ao talento de Ronaldinho Gaúcho e Neymar, Dunga esboçou um sorriso ao fim da partida. Da arquibancada, ouviu com algum conforto os gritos de "olé" para os toques laterais dos brasileiros. Ouviu ainda alguns desaforos a Robinho, certamente de torcedores do Manchester City, antes de o jogador marcar o segundo gol e sair de campo aplaudido pela maioria. Após 53 jogos e 70 atletas testados em três anos e meio de trabalho, Dunga vai para o Mundial convicto de que o Brasil tem boas chances de conquistar outro título. Poderia levar para a África do Sul outras convicções: por exemplo, a de que a dupla Maicon-Daniel Alves deve ser titular. O time melhorou muito com os dois no segundo tempo - e isso ocorre sempre que atuam juntos. São ariscos e enganam com facilidade os marcadores. Maicon se empolga demais às vezes e dá uns chutões descabidos. Daniel Alves, o mais técnico, é reserva O Brasil teve uma boa atuação depois do intervalo. Antes, os primeiros 45 minutos só não foram sonolentos por causa do gol que nasceu num chute forte de Robinho. Adriano pouco fez e Kaká estava excessivamente nervoso com a marcação individual e desajeitada de Andrews, o autor do gol contra. Restam agora ajustes para o time chegar ao continente africano como um dos favoritos ao título. Apesar da pouca habilidade dos volantes, das arrancadas inúteis de Lúcio e da sensação de que um pouquinho mais de talento no grupo não faria mal a ninguém. BRASIL 2 Júlio César; Maicon (Carlos Eduardo), Lúcio (Luisão), Juan e Michel Bastos; Gilberto Silva, Felipe Melo, Ramires (Daniel Alves) e Kaká; Robinho (Nilmar) e Adriano (Grafite). Técnico: Dunga. IRLANDA 0 Given; Kelly, McShane, St. Ledger e Kilbane; Lawrence (McCarthy), Whelan (Gibson), Andrews e Duff (McGeady); Keane e Doyle. Técnico: Giovanni Trapattoni. Gols - Andrews (contra), aos 43 minutos do primeiro tempo; Robinho, aos 30 minutos do segundo tempo. Cartões amarelos - Não houve. Árbitro - Mike Dean (Fifa-Inglaterra). Renda - Não disponível. Público - 40.082 pagantes. Local - Emirates Stadium, em Londres (Inglaterra).