ESPORTES
Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008, 19h:37
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FUTEBOL MASCULINO
A hora da vingança
Seleção entra em campo mais do que disposta a vencer Camarões. Quer se vingar da derrota sofrida há oitos anos
ALMIR LEITE
Da Agência Estado Shenyang, China
É a grande chance de vingar a derrota e a eliminação na Olimpíada de Sydney, oito anos atrás. Mais do que isso, porém, a partida contra Camarões, neste sábado, às 6 horas (de Mato Grosso), em Shenyang, é o momento certo para a seleção brasileira provar que tem mesmo futebol para brigar pelo ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim. Para um jogador, o capitão e ídolo Ronaldinho Gaúcho, é um confronto especial. Ele participou daquele vexame na Austrália, mas recebeu outra oportunidade, muitas vezes algo raro na vida de um profissional de alto nível. Ninguém na seleção brasileira admite. Todos adotaram o discurso de que os tempos são outros, os times também, as circunstâncias idem. Mas Camarões não deixa de ser um fantasma que precisa ser exorcizado. Como fazer isso? Mostrando evolução em relação os jogos anteriores, entende o técnico Dunga. "Vamos trabalhar para criar um sincronismo mais automático", disse, criando um novo jeito de falar em aperfeiçoar o entrosamento. "E mais jogadas de ataque." Deverá mesmo ser necessário. Se Camarões cumprir a promessa feita ontem pelo técnico Martin Ndtougou, de atacar o Brasil, a seleção vai precisar bem mais do que o jogo cadenciado e com grande valorização da posse de bola, em boa parte do tempo no campo de defesa, que se mostrou suficiente para derrotar sem sustos os limitados adversários que teve até aqui - 1 a 0 na Bélgica, 5 a 0 na Nova Zelândia (jogando bem) e 3 a 0 na China (em ritmo de treino). No entanto, há quem duvide do ímpeto dos africanos. "Esse negócio de que time da África só ataca é bobagem. Eles evoluíram taticamente e, além isso, enfrentar o Brasil sempre impõe respeito", considera Anderson. Os números dão razão à desconfiança do volante: Camarões só fez dois gols até agora, em três partidas. Mas não deixa de ser um time forte fisicamente, que joga duro e com velocidade e que, se a seleção bobear, pode repetir a performance apresentada na Austrália. O Brasil tem a melhor campanha na Olimpíada: nove pontos em três jogos, nove gols marcados, nenhum sofrido. Mas é no sábado que o time vai ser testado de verdade. E vai passar no teste, prometem os jogadores. "Tenho certeza de que vamos fazer um grande jogo contra Camarões", prevê o atacante Alexandre Pato - que, aliás, pode ver a boa exibição do banco de reservas. Ele tem jogado mal e já não tem a posição de titular absoluto do ataque garantida. Os jogadores citam como um dos trunfos da seleção neste duelo com os africanos a experiência do grupo, já que vários jogadores atuam na Europa e, apesar de jovens, já se acostumaram à pressão Nesse ponto, porém, há equivalência, pois boa parte dos camaroneses joga em times da Inglaterra e França. Se a partida terminar empatada, haverá prorrogação e, persistindo o empate, disputa por pênaltis para apontar o semifinalista. O classificado enfrentará o vencedor de Argentina x Holanda, que jogam no sábado às 9 horas (de Mato Grosso) em Shanghai. As outras quartas-de-final também ocorrem no sábado: Itália x Bélgica, em Pequim, e Nigéria x Costa do Marfim, em Quinhuangdao. BRASIL Renan; Rafinha, Alex Silva, Breno e Marcelo; Hernanes, Lucas, Anderson e Diego; Alexandre Pato (Rafael Sóbis) e Ronaldinho Gaúcho. Técnico: Dunga. CAMARÕES Tignyemb; Ghomsi, Bikey, Song e Mbia; Bekamenga, Songoo, Bebey e Nkoulou; Chedjou e Ngal. Técnico: Martin Ndtougou. Árbitro - não divulgado. Horário - sábado, às 6 horas (de Mato Grosso). Local - Estádio Olímpico de Shenyang, na China.