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Editoriais
Terça-feira, 02 de Outubro de 2007, 11h:34

Rotina de violência

Operações de rotina da Polícia Militar nas ruas da área metropolitana de Cuiabá, nos últimos dias, ao que parece, passaram a ser motivo de preocupação não apenas para os foras-da-lei – que, na prática, seriam os alvos principais -, mas para os trabalhadores em geral. Não seria propriamente uma inversão de valores, mas algo parecido com falta de preparo dos agentes escalados para esse tipo de trabalho. Com efeito, a agressão – aparentemente, gratuita - sofrida por um motorista de ônibus coletivo, depois de transpor com o veículo barreira policial numa das principais avenidas da Capital, a Fernando Correa, na semana que passou, quando nada, é sinal de que falta muito para que alguns integrantes da PM aprendam a lidar com o cidadão comum, no cotidiano da cidade. Como foi divulgado, o condutor do ônibus parou distante do ponto onde um policial sinalizou, o que provocou uma reação violenta. Por sinal, da parte de um oficial, que deveria ser o primeiro a dar exemplo de bom comportamento, e não de violência exacerbada. A agressão gerou revolta e um protesto que provocou um princípio de caos no já caótico trânsito de Cuiabá, com a paralisação parcial do sistema de transporte coletivo. Felizmente, o bom-senso imperou e, depois de uma intervenção do próprio comandante da PM, coronel Campos Filho, o protesto foi encerrado e as providências para se apurar o caso (e punir os agressões, obviamente), encaminhadas. Não se pode dizer que tenha havido um final feliz em toda essa história, até porque ficaram, indeléveis, as marcas das agressões sofridas pelo trabalhador e do despreparo do pelotão militar encarregado da polêmica blitz. Menos de 24 horas após o incidente, a mesma PM deu início a outra ação, desta vez, conforme foi anunciado, no sentido de combater a criminalidade, que grassa nos quatro cantos do Estado. Batizada de "Operação Águia", a ação policial militar se desenvolve neste final de semana na Capital e nas duas maiores cidades do Interior, Várzea Grande e Rondonópolis. O objetivo é reforçar o policiamento nesses pólos, nos pontos considerados estratégicos, numa ação preventiva. O velho jargão “Polícia nas ruas” volta a ser utilizado. Louva-se, a propósito, a intenção de se colocar o aparelho policial cada vez mais perto dos cidadãos. Contudo, a ocasião é bastante propícia para sugerir que o comando da corporação busque sempre instigar o moral da tropa para que, na realização dessas blitze, o trabalhador não seja confundido, infantilmente, com o marginal. A citada operação é batizada de “Águia”, em função da força, precisão e vigilância desse pássaro, conforme explica o comando da PM. O ideal seria que a ave de rapina fosse levada a sério como símbolo dessa ação, pelo que ela tem de mais valoroso: a grande acuidade visual. Só assim, certamente certos militares fariam diferença entre cidadão e bandido. “A simples rotina da PM passou a ser motivo de muita preocupação”

Edição edição 16957




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