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Editoriais
Segunda-feira, 12 de Março de 2007, 20h:47

Protecionismo nefasto

A rápida e tumultuada passagem, no final da última semana, do presidente norte-americano George W. Bush pelo Brasil pode ter rendido resultados muito inferiores ao esperado, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou a posição brasileira ao criticar, na véspera do encontro com seu colega, a nefasta prática de subsídios. A objeção que o presidente brasileiro tornou pública insere-se na luta de nosso país por condições comerciais mais justas e menos predatórias que as impostas atualmente não só pelos Estados Unidos, mas também por países da União Européia. Neste sentido, é inadmissível que, quando está em curso uma tentativa de aprofundamento das relações políticas com o Brasil, os Estados Unidos ainda continuem taxando o etanol importado de nosso país ao mesmo tempo que compram, sem qualquer taxa ou restrição, o petróleo da Venezuela de Hugo Chávez. Ainda que, no caso norte-americano, a revisão do protecionismo, pelo menos no caso do etanol, caiba ao Congresso, os Estados Unidos, como principais defensores da economia de livre mercado, teriam o dever de dar o exemplo nessa área, facilitando o acesso dos produtos de outros países. Num momento em que o planeta acentua sua preocupação com a poluição atmosférica, com o efeito estufa e com a necessidade de reduzir o consumo de energias sujas em favor das limpas, as condições aduaneiras que dificultam a exportação do etanol brasileiro soam como uma contradição. Aliás, é essa postura contraditória dos países ricos - que de um lado pregam a liberdade de comércio e de outro, na prática, mantêm e até ampliam os subsídios e o protecionismo -, que tem sido o principal argumento do Brasil e dos outros países emergentes em debates internacionais. Infelizmente, não foi por esse viés que os manifestantes contra Bush pautaram seus protestos. Preferiram aspectos ligados ao conflito do Iraque ou a repetição de tiradas da eloqüência falastrona e populista do presidente Chávez. O Brasil, que tem interesses objetivos na relação comercial com os Estados Unidos, fez bem em manter-se afastado desse antiamericanismo inconseqüente. As relações entre países não podem apequenar-se a ponto de se transformarem em questões pessoais. A diplomacia brasileira, agora reafirmada pela postura face à visita do presidente Bush, preserva as relações históricas entre os dois países, o que não significa nem adesão cega, nem crítica incondicional. Significa, sim, a defesa objetiva dos interesses brasileiros, entre os quais o direito a um comércio justo e sem protecionismo. “O Brasil fez bem em manter-se afastado desse antiamericanismo inconseqüente”

Edição edição 16957




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