Editoriais
Terça-feira, 28 de Junho de 2011, 20h:32
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Paz no Araguaia
A sabedoria popular ensina que quando um não quer dois não brigam. Essa máxima se aplica bem ao efervescente caso da questão agrária envolvendo índios xavantes e mais de cinco mil posseiros e seus familiares na reserva Marãiwatsede. A tensão agrária em Marãiwatsede se arrasta há alguns anos e a cada dia ganha pequenos desdobramentos que na verdade afunilam para desfecho imprevisível. Essa área tem 168 mil hectares nos municípios de Alto Boa Vista parte maior Bom Jesus do Araguaia e São Félix do Araguaia na região nordeste ou Vale do Araguaia. Marãiwatsede foi reconhecida enquanto terra indígena por sentença com trânsito em julgado da qual não cabe recurso. Isso, porque o Judiciário entendeu que os posseiros que ali vivem há quase meio século e cultivam a terra em propriedades de diversos tamanhos terão que desocupá-la abrindo espaço para a posse definitiva dos xavantes. A transferência de direito da área para os índios criou um clima de insegurança entre os posseiros, que se despejados não teriam para onde se mudar e sequer sabem exercer atividade urbana, pois são homens de mãos calejadas pela lide no campo. Diante da crise que se desenha o governador Silval Barbosa propôs à Funai a cessão de uma área estadual de igual ou tamanho superior a Marãiwatsede, para que a mesma seja transformada em reserva para os xavantes e, dessa forma, os posseiros continuariam em seus lotes. O mecanismo jurídico para se chegar a entendimento com o Ministério da Justiça e consequentemente com a Funai é complexo, mas Mato Grosso demonstra muita maturidade no trato dessa questão. Tanto assim, que o presidente da Assembleia, José Riva (PP) juntamente com o suplente que estava em exercício, Adalto de Freitas (PMDB), propuseram a criação de uma lei, que foi aprovada em plenário e promulgada pela Assembleia Legislativa com o número 9.564, de 27 deste mês, que autoriza o governo do Estado permutar com a União o Parque Estadual do Araguaia (com 223.169,5417 hectares) pela reserva Marãiwatsede. Com a lei que acaba de ser promulgada Mato Grosso encontra o ponto de equilíbrio para evitar a tragédia que se anuncia. A oferta não é hipócrita e tem boa fundamentação. O Parque Estadual do Araguaia se localiza no município de Novo Santo Antônio, na calha dos rios das Mortes e seu afluente Cristalino, na região de Marãiwatsede; e sua vegetação é primitiva sem interferência da antropização que caracteriza a área sob domínio dos posseiros, que se transformou em pastagens e lavouras, é cortada por estradas vicinais e tem um grande número de construções de alvenaria e outras benfeitorias. Uma vez transformado em área indígena o Parque Estadual do Araguaia será mais uma terra Xavante no Araguaia, onde essa etnia tem as reservas Chão Preto, Parabubure, Pimentel Barbosa e Areões, Sangradouro/Volta Grande e Marechal Rondon. Essa metamorfose agrária será o alvorecer de uma nova era na região, onde a paz será o elo entre os que vivem dentro e fora das aldeias. Essa metamorfose Agrária será o Alvorecer de Nova era na região