NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

Editoriais
Quarta-feira, 11 de Julho de 2007, 21h:04

País dos apagões

O mesmo Brasil que vem consolidando a estabilidade econômica e os preparativos para retomar o crescimento esbarra numa inquietante sucessão de apagões que vão muito além do registrado no setor aéreo. Os mais visíveis estão em muitas rodovias, em algumas linhas ferroviárias que sobreviveram no país, na sempre ameaçadora possibilidade de escassez na área energética. Mas, à medida que a expansão econômica avança, puxada particularmente pelas exportações, preocupa também a situação nos principais portos, onde o tempo de espera já é preocupante. O agravante é que, por diferentes razões, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) andou muito mais lentamente do que o previsto para o primeiro semestre. Assim como segurança jurídica e estabilidade política e econômica, infra-estrutura adequada constitui-se em pressuposto para qualquer país preocupado em crescer como o Brasil. Nos últimos tempos, o apagão energético e, mais recentemente, o registrado no setor aeroviário, deram um recado claro do quanto o montante dos prejuízos pode suplantar o dos investimentos que deixam de ser feitos em áreas essenciais para o setor produtivo. A falta de energia impediu o país de dar um salto econômico, enquanto o caos instalado nos aeroportos segue acumulando dramas pessoais e prejuízos consideráveis para quem precisa se deslocar por via aérea, afetando negócios e particularmente o turismo. Só o tempo que o país levará para se livrar dessas marcas já seria razão suficiente para que tivesse sido poupado delas a qualquer custo. O problema, mais uma vez, é que os investimentos em infra-estrutura são escassos demais para as necessidades. Desde as eleições do ano passado, quando houve um afrouxamento no ajuste fiscal, as verbas destinadas a obras seguem em alta, mas ainda em volume insuficiente. Levantamento realizado pela ONG Contas Abertas, especializada no acompanhamento da contabilidade da União, demonstra que apenas 13,8% do total reservado para o PAC foi efetivamente gasto de janeiro a junho. O balanço torna remota a possibilidade de o poder público confirmar as metas previstas na área de infra-estrutura até dezembro, o que é preocupante. O país não pode associar sua imagem a uma logística caótica e à incapacidade de revertê-la. Consumidores e empresários, que pagam mais por uma alternativa equivocada de ênfase às rodovias, precisam de estradas em boas condições enquanto o modelo de transporte não é revisto, de um sistema aéreo eficiente, de portos competitivos e de garantia no abastecimento de energia elétrica. O inconcebível é que, já hoje, o país enfrente diferentes tipos de apagões em áreas vitais, que geram incertezas principalmente entre os investidores e põem em risco a possibilidade real de expansão econômica. “O mesmo Brasil da estabilidade esbarra numa sucessão de apagões”

Edição EDIÇÃO 16958




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL