Editoriais
Terça-feira, 18 de Agosto de 2009, 21h:19
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Página não virada
Muito embora as investigações por parte da Polícia Federal e do Ministério Público Federal ainda estejam em curso inclusive, só no começo desta semana, as 11 pessoas presas sob a acusação de fraudar licitações do PAC começaram a deixar a cadeia -, o prefeito Wilson Santos considerou a Operação Pacenas como "uma página virada". A observação foi feita na manhã de ontem, durante encontro do prefeito com vereadores, na Câmara Municipal. Wilson se antecipou a um requerimento que o vereador Domingos Sávio protocolou, na Mesa Diretora, solicitando seu comparecimento para esclarecer a polêmica em torno das encrencadas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na capital mato-grossense. Como se recorda, a operação da PF, deflagrada no dia 10, resultou na prisão de 11 pessoas, entre elas, o procurador municipal, José Antonio Rosa (que pediu demissão), empreiteiros e servidores das Prefeituras de Cuiabá e de Várzea Grande. No encontro com os vereadores, Wilson Santos tentou justificar, da melhor maneira possível, a afirmação de já virou a página da Operação Pacenas, ao delinear, num rápido balanço, algumas das principais providências adotadas tão logo eclodiu o que se convencionou classificar de Escândalo do PAC. A começar pela suspensão dos pagamentos de obras e pela demissão de José Antonio Rosa, da Procuradoria. Na verdade, o advogado pediu demissão, depois que o próprio prefeito relutou em desligá-lo do quadro funcional do Alencastro, alegando que acreditava em sua inocência. O prefeito também citou o ato seqüente, que foi a nomeação do advogado Ussiel Tavares para a Procuradoria Municipal; a criação de uma Comissão de Sindicância interna para apurar o envolvimento de servidores com esquema de fraudes em licitação; o cancelamento das licitações de lotes; e a proposta para que o Exército assuma, temporária ou definitivamente, as obras do PAC na Capital. Louve-se a atitude de Wilson Santos em buscar a transparência dos atos administrativos, assim como a proposta de imprimir, por assim dizer, seriedade na execução das obras, a partir do momento em que sinaliza para uma parceria com o Exército Brasileiro, ainda que a medida tenha caráter emergencial. Contudo, ao afirmar que a operação da PF é uma página virada, o prefeito comete um ato falho. Afinal, a soltura dos 11 presos simplesmente não põe um ponto final no escândalo do PAC, até porque as investigações prosseguem e ninguém, em sã consciência, pode prever o desfecho desse rumoroso (e até vergonhoso) caso. Libertação dos 11 envolvidos no esquema do PAC não dá por encerrada a Operação Pacenas