Editoriais
Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008, 21h:05
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PAC que não anda
No final de julho de 2007, os três principais pólos de desenvolvimento de Mato Grosso festejaram, numa única oportunidade, a visita do presidente Lula ao Estado. Com efeito, motivo era o que não faltava: no dia 31 daquele mês, o presidente anunciou investimentos estimados em R$ 600 milhões, que contemplariam Cuiabá (R$ 238 milhões), Várzea Grande (R$ 174 milhões) e Rondonópolis (R$ 166 milhões). Tais recursos, pelos cálculos de então, garantiriam a universalização do tratamento de água e de esgoto da Capital (num percentual estimado em 100%) e dos outros Municípios (respectivamente, em 97% e 95%). A propósito, a classe política louvou a decisão e até considerou que dificilmente alguma iniciativa governamental teria sido mais lançada (e festejada) que o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), a menina dos olhos da gestão petista. Afinal, a meta é de investimentos de R$ 503,9 bilhões em Transporte, Energia, Saneamento, Habitação e Recursos Hídricos. No Orçamento, estão previstos R$ 67,8 bilhões, enquanto R$ 436,1 bilhões devem sair de estatais e do setor privado. Também se destacou o esforço do governador Blairo Maggi (PR), junto ao Governo Lula, para a inclusão do Estado nesse programa, assim como se considerou que a vinda do presidente, quando nada, significaria a consolidação de uma parceria política com resultados extremamente positivos para Mato Grosso. Há que se reconhecer a gestão do Palácio Paiaguás junto ao Palácio do Planalto, na busca por benefícios para todos os Municípios, independentemente das questões partidárias. A se lamentar, entretanto, que, há pouco mais de seis meses do festivo lançamento do PAC, esse programa federal simplesmente ainda não deslanchou nas cidades, prioritariamente, escolhidas para a execução das obras. O motivo é um só: irregularidades no processo de licitação. A começar pela capital, onde, ainda em 2007, o Tribunal de Contas da União (TCU) mandou cancelar o edital, após uma ação interposta por uma empresa contra a Prefeitura. Em seguida, um pedido de liminar do Ministério Público Federal, por meio de uma ação civil pública, suspendeu a licitação, diante de alegadas irregularidades no edital. Por fim, o mesmo MPF recomendou à Prefeitura de Rondonópolis a suspensão das obras do PAC, ao detectar nada menos do que dez falhas no edital de licitação. Como se observa, as razões para a suspensão das obras são idênticas nas três cidades. Isso, obviamente, remete à suspeita de que fraudes licitatórias viraram uma espécie de câncer em determinadas gestões públicas. Louve-se a ação do Ministério Público, que tem estado atento às questões. De outro lado, a se lamentar que se revelaram vãs todas as negociações políticas inclusive, com a participação dos prefeitos, para que os recursos fossem viabilizados em tempo hábil. As suspeitas de fraudes, obviamente, só depõem contra os administradores públicos. É lamentável que fraudes em licitações tenham se tornado um câncer em certas gestões públicas