Mato Grosso pode se sentir privilegiado por ser um estado onde se implantam rodovias e paralelamente a isso se preserva o meio ambiente. E a dualidade entre o desenvolvimento e os cuidados ambientais foi tema de debate ontem, no auditório da Secretaria de Infra-Estrutura (Sinfra), como parte da programação da Semana do Meio Ambiente. No debate a Sinfra deixou claro que o governo estadual incluiu em suas prioridades administrativas a conservação e implantação de rodovias, posicionamento esse que é de domínio público. De igual modo a secretaria enfatizou que somente se pode pensar em planejamentos rodoviários após a elaboração de minucioso projeto calcado no acatamento das rígidas normas da legislação ambiental. Em suma o governo reconhece a importância do setor rodoviário sem que isso implique em abrir mão de suas responsabilidades ambientais. Melhor que seja assim em Mato Grosso, que é um estado permeado por frágeis ecossistemas que não suportariam uma carga de agressão maior do que aquela que no passado lhe foi imposta pela forma desordenada para abrir caminho à ocupação amazônica e de outras regiões do estado. A setor rodoviário mato-grossense é deficitário a ponto de um dos municípios Rondolândia depender de utilizar a malha rodoviária da vizinha Rondônia para se comunicar por terra com as demais cidades do estado. Em razão disso o governo investe na melhoria das rodovias, quer seja pavimentando, construindo pontes e recuperando estradas encascalhadas. Essas obras, e outras que se fazem necessárias para interligar regiões, estão sendo precedidas de cuidados ambientais, o que às vezes compromete os cronogramas de trabalho, mas que por outro lado afasta o risco de se agredir o meio ambiente, já que a abertura de uma rodovia pode causar impactos ambientais num raio de até 150 km nos dois lados das pistas, segundo manifestação da bióloga e mestre em Ecologia, Márcia Molter Volper, que participou do debate na Sinfra. A preocupação ambiental no tocante a construção de rodovias não fica restrita a esfera estadual. Trades agrícolas, empresários do rodofluvial de Manaus e autoridades mato-grossenses interessados na retomada da pavimentação da BR-163 entre Guarantã do Norte e Santarém (PA), dedicaram o principal capítulo do planejamento dessa obra ao estudo dos impactos sobre o meio ambiente no eixo de influência dessa rodovia em Mato Grosso e no Pará. Os erros do passado são visíveis e a natureza tem sido implacável com suas reações ao cobra-los. Com base nisso e também se levando em contra os princípios políticos do governo, a Sinfra busca um ponto de equilíbrio entre a necessidade das obras e a defesa do meio ambiente. Erros do passado são visíveis e a natureza tem sido implacável com suas reações ao cobra-los