Num encontro promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em parceria com o Inter-American Dialogue, em Washington, o ministro da Educação do Brasil citou dois fatos que considera preocupantes: um grande número de professores do Ensino Fundamental não sabe alfabetizar e uma considerável parcela dos professores do Ensino Médio não sabe ensinar. Mais: segundo o ministro, uma avaliação recente mostrou o fato grave de que os professores não aprendem a ensinar. Para o senhor Paulo Renato Souza, ele mesmo um professor, a constatação não tem o sentido de uma acusação contra os profissionais do ensino, mas é um libelo contra um sistema de formação que precisa ser mudado. A declaração do ministro integra um conjunto de evidências que impõem como necessidade inadiável a reestruturação qualitativa e a ampliação quantitativa do Ensino Superior, que precisa adequar-se às necessidades do país e adaptar-se às exigências da sociedade. O conhecimento tornou-se, como disse o cientista social Lester Thurow, a única fonte de vantagem competitiva sustentável a longo prazo. E, neste sentido, o Brasil precisa vestir botas de sete léguas para vencer a defasagem que separa seu sistema educacional não apenas dos países ricos e desenvolvidos, mas também de alguns de seus vizinhos e parceiros. O próprio ministro reconheceu essa defasagem quando revelou que a proporção de brasileiros que chegam ao ensino universitário é equivalente à metade da de argentinos, chilenos e mexicanos. As declarações do ministro brasileiro ocorrem coincidentemente quando se realiza em Porto Alegre um congresso da escola particular, aberto com uma palestra que obedeceu ao sugestivo tema de aprendiz do futuro, que está dando oportunidade a que diretores de escola, coordenadores pedagógicos e professores reflitam sobre o novo papel do educador, especialmente diante das novas ferramentas tecnológicas. Coincidem também com a divulgação em Brasília de uma pesquisa da Unesco que constatou que 19% dos secretários municipais de ensino do país não são detentores de diplomas de curso superior. Uma das observações sobre a pesquisa merece atenção: disse o coordenador do trabalho da Unesco, Julio Jacobo Waiselfisz, que quanto maior o grau de conhecimento do secretário, maior a eficiência do sistema de ensino. O despreparo pedagógico de muitos professores, a emergência das novas tecnologias e a necessidade de mais competência no gerenciamento da educação são elementos que se somam para tornar cada vez mais urgentes medidas capazes de romper as barreiras que hoje amarram o ensino brasileiro e comprometem o próprio futuro da nação. Há barreiras que hoje amarram o ensino brasileiro e comprometem o futuro da nação