Editoriais
Sábado, 02 de Junho de 2001, 12h:29
A
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Mero espectador
Reportagem de ontem neste Diário, abordando acidentes nas rodovias federais em Mato Grosso e a passagem de carretas roubadas para a Bolívia, mostrou a fragilidade do policiamento na faixa de fronteira, onde a Polícia Rodoviária Federal tem apenas três postos no trecho de Cáceres a Comodoro. A vulnerabilidade da fronteira não pode ser debitada à falta de estrutura e de efetivo policial e militar, mas sim à má vontade política de empreender ações de segurança integrada. Disso se aproveita o crime organizado, que transforma em verdadeira avenida a linha imaginária de 730 km que separa o Brasil da Bolívia. Não foi oportuna a observação do ministro da Defesa, Geraldo Quintão, em recente visita a Mato Grosso, de que seria preciso o governador Dante de Oliveira mudar o texto constitucional para que o Exército passasse a policiar a fronteira, como deseja o Governo do Estado. O crime organizado que rouba carretas no Brasil para trocá-las em cocaína na Bolívia é de extrema versatilidade e criatividade para agir na lavagem de dinheiro, no suborno, na violência contra o cidadão e onde mais se possa imaginar. Por sua vez, o Estado insiste na prática obtusa de vestir camisa de força para enfrentá-lo. Por sua localização geográfica ao lado de um dos principais centros de produção de cocaína, Mato Grosso, isoladamente, não consegue enfrentar o narcotráfico. Somente ações integradas de segurança conseguirão reduzir ao chamado nível suportável a entrada da droga no Estado. Geraldo Quintão não hesitou no cunho da constitucionalidade ao deslocar tanques, blindados, pára-quedistas e infantaria para sufocar uma reivindicação salarial de PMs em Tocantins, justificando o emprego dos militares em defesa da ordem. Esse mesmo ministro insiste em desconsiderar a ameaça à soberania pela violação da fronteira e do espaço aéreo para o tráfego de droga e o contrabando de armas da Bolívia para Mato Grosso. O posicionamento do ministro da Defesa reduz a capacidade de ação na fronteira, escancara o território nacional à sanha supranacional e deixa o Exército na incômoda posição de espectador da barbárie silenciosa que aniquila jovens, esfacela famílias, assassina, fabrica milionários da noite para o dia e está criando um Estado paralelo no Centro Geodésico da América do Sul. Mato Grosso, Isoladamente, não consegue enfrentar o narcotráfico na fronteira