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Editoriais
Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007, 21h:35

Mato Grosso e a máfia

Já virou lugar-comum, infelizmente, a inclusão de Mato Grosso nas manchetes de teor extremamente negativo na mídia nacional. Das queimadas que dão o nada invejável título de “campeão” à definição nada lisonjeira de “rota do tráfico internacional de drogas”, o Estado ainda se sobressai, no cenário nacional, como um dos mais violentos. Ultimamente, entretanto, a imagem de Mato Grosso passou a ser associada a um tipo de crime que, gradativamente, se transforma em símbolo da atividade de alguns setores – entre eles, o político. É a corrupção, que corrói valores humanos, como destaque para a honestidade. A corrupção é real e está por toda parte, mas, sobretudo, virou marca registrada na atividade política. A recente prisão do ex-deputado federal Lino Rossi (PP) trouxe à tona essa triste realidade. O seu enquadramento em crimes como formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e fraudes em licitação – para citar aqueles tipificados pela Justiça – é emblemático. O ex-parlamentar é, quando nada, apenas uma das muitas peças desse jogo criminoso, no qual o maior perdedor é cidadão de bem. Depois de fazer pouco caso da Justiça e circular livremente como se o sistema corrupto do qual ele faz parte fosse um expediente normal na vida do País, o ex-deputado do PP foi preso. Ainda assim, insistiu em insultar a inteligência das pessoas, negando a prática dos crimes relacionados, se dizendo chateado com a Justiça e decepcionado com a política, para em seguida admitir que “a ficha caiu”. Réu-confesso, o ex-deputado Rossi se junta a outras figuras do firmamento político mato-grossense que não resistiram à tentação do enriquecimento fácil. Como ele, se enveredaram pelo submundo das falcatruas, alinhavaram conchavos, manipularam emendas e desviaram verbas públicas, muitas das quais deveriam ter sido aplicadas em setores vitais, com a Saúde Pública. A criação do propinoduto que levou cerca de R$ 100 milhões a centenas de gabinetes, de acordo com a Justiça, constituiu um dos maiores escândalos políticos da história. A Máfia das Sanguessugas, como ficou conhecida a quadrilha, se transformou em sinônimo de roubalheira no universo da política brasileira. Infelizmente, Mato Grosso deu uma parcela inestimável de contribuição para a prática desse crime, diante da participação de políticos como Lino Rossi e outros. São os casos dos também ex-deputados Ricarte de Freitas (PTB) e Celcita Pinheiro (DEM), acusados pelo Ministério Público Federal de se beneficiar do festival de propinas patrocinado pela máfia. Ambos são alvos de ação penal e devem ser responsabilizados pela ligação com o esquema de compra de ambulâncias com preço superfaturado. As práticas ilícitas do desvio de recursos, do favorecimento de amigos e parentes e da troca de favores deixam o Estado sob a ameaça constante do subdesenvolvimento crônico. Resta torcer para que a Máfia das Sanguessugas, um dia, seja vista como apenas um caso isolado. Mato Grosso não merece essa imagem. “A Máfia das Sanguessugas passou a ser um sinônimo de roubalheira”

Edição EDIÇÃO 16958




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