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Editoriais
Sábado, 05 de Fevereiro de 2005, 13h:49

Mancha Verde

Desde o desfile de 90, no Rio, quando a Escola de Samba Caprichos de Pilares “enloqueceu” a Marquês de Sapucaí com o samba-enredo “Langsdorff, delírio na Sapucaí”, o mais cantado daquele ano e que é considerado um dos mais bonitos do carnaval carioca, Mato Grosso não teve outra oportunidade de ser destacado no carnaval das grandes capitais, até a última sexta-feira, quando foi homenageado pela Escola de Samba Mancha Verde, de São Paulo. A Caprichos ao desenvolver o enredo sobre a saga de Langsdorff nos anos 20 do século XIX abriu espaço para Mato Grosso, que foi um dos estados na rota do pesquisador a mando do tzar russo. Transcorridos 15 anos do samba da Caprichos, a Escola de Samba Mancha Verde, de São Paulo, reverenciou a terra de Rondon com o samba do enredo “”Da pré-história aos transgênicos: Mato Grosso, uma Mancha Verde no coração do Brasil”. Pena que a Secretaria de Estado de Cultura não tenha entendido a relevância do enredo e o poder do samba em divulgar Mato Grosso mundo afora pela transmissão da TV Globo Internacional e pela repercussão do desfile pela imprensa. O samba da Mancha Verde jamais constou das programações populares da Secretaria Cultura, e quando foi cantado pela primeira vez na avenida, pegou Mato Grosso de surpresa mostrando a riqueza, cultura, história e a tradição chapa e cruz da gente que nasceu e que vive no coração do Brasil. Se a Cultura tivesse se atentado para a rara oportunidade que caiu de bandeja para Mato Grosso, certamente teria usado os meios necessários para que o enredo da escola contribuísse dentro e fora do Estado para o fortalecimento e a massificação daquilo que foi cantado por milhares de passistas e pelas arquibancadas paulistanas. O governo agiu correto em não investir em desfiles de escolas de samba, que a cada ano mais e mais se profissionalizam e têm alternativas no mercado para se manterem. No entanto, esse mesmo governo, por sua Secretaria de Cultura, errou por não saber aproveitar a oportunidade ímpar que a Mancha Verde lhe deu. “Pegou Mato Grosso de surpresa mostrando a riqueza, cultura, história e a tradição”

Edição edição 16957




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