Editoriais
Sábado, 28 de Junho de 2008, 14h:51
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Choque de oferta
Preocupado em conter o impacto da aceleração dos preços dos alimentos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu recorrer ao que definiu como um "choque de oferta" - medidas que, ao buscarem o incremento da produção, colaborem para a estabilização dos preços e até para algumas reduções. A vantagem da estratégia é a de descartar congelamentos de preços, como já começam a admitir alguns países diante das pressões inflacionárias. A dúvida, porém, é se o volume anunciado de R$ 65 bilhões para o setor agrícola, mesmo superior à previsão inicial, será suficiente para convencer os produtores rurais a reforçarem suas estimativas de plantio para os mercados interno e externo. Problema comum à maioria dos países neste momento, por decorrer de causas como a escassez global de alimentos, a majoração dos preços do petróleo e as especulações com commodities, o aumento do custo de vida vem gerando apreensões sobre a volta da inflação e, em alguns países, sobre o risco de artifícios como o congelamento de preços. Depois da Argentina, também México e Uruguai se inclinam por esse caminho que, num passado recente, ajudou no Brasil a difundir uma ilusão momentânea de estabilidade. Quem vivenciou a experiência, porém, sabe que a sociedade paga um preço muito elevado quando esses artifícios chegam ao fim. Daí a razão para que o país não ouse mais seguir por esse caminho, pois é equivocado. Felizmente, diante de um problema para o qual praticamente não colaborou, mas que precisa enfrentar sem hesitações, o governo brasileiro vem descartando receituários de risco. Decisões como a de elevar a taxa básica de juros e o chamado superávit primário - a reserva de recursos destinada ao pagamento dos compromissos da dívida - também impõem um ônus para a população, que passa a pagar mais por bens e serviços e a contar com menos investimentos públicos em áreas essenciais. Ainda assim, têm a vantagem de não mascarar nada, como os congelamentos de preços, e de produzir resultados mais eficazes. O estímulo ao agronegócio, com investimentos em volume adequado para quem produz alimentos básicos como leite, carne e grãos, faz parte da mesma preocupação do país de rechaçar esse mal enquanto o custo é suportável. O ataque à inflação exige determinação por parte do governo de não se render a tentações artificialistas, como a do congelamento. Ao mesmo tempo, o Brasil não pode prescindir do agronegócio, do qual depende para gerar alimentos em quantidades e preços razoáveis. Felizmente, o país é um dos que têm mais potencial para dar uma resposta adequada à demanda mundial por mais produtos alimentícios de primeira necessidade. Essa condição tem potencial para fazer com que, se agir com eficiência diante da crise, possa sair dela até mesmo mais fortalecido. O ataque à inflação exige determinação por parte do governo