Editoriais
Terça-feira, 20 de Julho de 2010, 20h:35
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Bom para Paranaíta
Picadeiros, tratoristas, topógrafos, motoristas e os demais profissionais que trabalhavam para Ariosto da Riva, dono da Integração, Desenvolvimento e Colonização (Indeco), tiveram duas razões para comemoração com o chefe, em 29 de julho de 1979: o Dia de São Pedro e a fundação da vila de Paranaíta, que Ariosto planejara para centro urbano de um pólo produtor de café e guaraná. Ariosto quase sempre acertava. Mas na aposta sobre o tal pólo, deu com os burros nágua, porque no nascedouro a povoação perderia a identidade que lhe estava reservada. A razão é simples: descoberta de ouro na região. Garimpeiros invadiram as terras, reviraram o subsolo, mudaram cursos das águas em busca do metal mais cobiçado do mundo. Potenciais compradores de terra recusavam as ofertas tentadoras de Ariosto. Os agricultores e pecuaristas que se mudaram para o lugar entraram em polvorosa. Tudo em Paranaíta era comprado e pago com grama de ouro. Na Boate Sombra da Mata e na concorrência a mulherada fazia festa madrugada adentro e garimpeiros lavavam o chão com cerveja. Malária. Assassinatos. Congestionamentos aéreos. Dinheirama correndo solta. Era um fuzuê. A vila, perdida num canto do imenso município de Aripuanã, no Nortão, divisa com o Pará, não tinha lei. No começo da década de 1990 o ouro ficou difícil de ser garimpado e o presidente Fernando Collor complicou ainda mais as coisas com uma política nociva ao garimpo. Paranaíta entrou em declínio e o êxodo botou fim às únicas vilas que lhe pertenciam: Jaú e Castanheira. Em 1995 a população era de 15.255 habitantes. Dez anos depois não passava de 9.032. Ou seja, a redução no período foi de 59,20%. Paranaíta luta para superar a crise que surgiu com o fim do garimpo e que foi agravada com o rigor ambiental para a exploração florestal, que foi sua segunda opção econômica. O povo de Paranaíta é forte e a cidade tornou-se sede de comarca, ganhou energia elétrica e telefonia, mas continua enfrentando o problema da falta de acesso pavimentado. A MT-206, que faz sua ligação com Alta Floresta, transforma-se em perigoso canudo de poeira no verão amazônico e em atoleiro de difícil transposição no chamado inverno daquela região, mas a situação dessa estrada está com os dias contados, porque se transformará em moderna rodovia asfaltada, o que acontecerá até abril do próximo ano. Em parceria com a Associação Intermunicipal dos Produtores e Beneficiários da MT-206 o governo de Mato Grosso pavimenta os 38,4 km ainda sem asfalto para assegurar a interligação da cidade ao conjunto da malha rodoviária nacional. Essa obra se juntará a outra, recentemente executada, em 12,8 km da mesma via e criará nova perspectiva ao desenvolvimento daquele município. Homens e máquinas trabalham na pavimentação da MT-206 a partir de daquela cidade, onde a obra é saudada enquanto redenção de uma região que foi colonizada na força de seu povo, que soube superar a crônica ausência do Estado, que até recentemente era palpável. Paranaíta merece! A obra é saudada enquanto redenção de uma região que foi colonizada na força de seu povo