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Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011, 20h:24

Água para Cuiabá

Cuiabá enfrenta crônica falta d’água e está a um passo do estrangulamento com o lixo. A mesma situação se repete em Várzea Grande, na margem oposta do rio que empresta o nome à Capital mato-grossense. Ou seja, os dois problemas são comuns ao aglomerado urbano que concentra 800 mil habitantes. O modelo de gestão da Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap) é ultrapassado, ineficaz e essa empresa controlada pela prefeitura se mantém distante da modernização empresarial, porque em razão de sua constituição fica sempre atrelada aos interesses políticos do Palácio Alencastro. A coleta e tratamento de lixo fogem às suas atribuições e dispensam comentários. Do outro lado do rio o cenário é mesmo. A população amarga muitos problemas com a falta de água, que nunca é reconhecida em sua extensão pela Sanecap. O saturamento da capacidade de receber lixo e a falta de seu tratamento comprometem seriamente a saúde da população e contribuem para o agravamento da poluição das águas do rio Cuiabá que drena para o Pantanal. Além disso, o serviço de coleta e tratamento de esgoto em Cuiabá é acanhado, o que resulta no lançamento de esgoto in natura nos córregos que banham o aglomerado urbano e no rio Cuiabá. O gigantismo de Estado – em todas as esferas do poder - é incompatível com a realidade. O ideal seria a privatização da Sanecap e do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE) para que as duas cidades possam prestar melhor serviço aos seus moradores. A busca pela qualidade do serviço tem que prevalecer sobre interesses políticos ou grupais. Sem prejuízo financeiro para os dois municípios e levando em conta somente o bem comum é preciso desmontar as estruturas viciadas da Sanecap e do DAE – sempre mergulhados em escândalos – e abrir novos horizontes para a água, esgoto e lixo nas duas cidades. Isso tem que ser feito o quanto antes. O processo de privatização deve ser feito pelas prefeituras com transparência, acompanhamento pelo Ministério Público, Tribunal de Contas do Estado, vereadores e entidades representativas da sociedade civil organizada. De igual modo tem que ficar sob o crivo do Tribunal de Contas da União e da bancada federal por envolver tema que passa por próprios que receberam aportes da União quer seja por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ou outras fontes. Em Mato Grosso há exemplos de sucesso em privatização de empresas de água e o mesmo acontece Brasil afora. A Sanecap é desdobramento do encolhimento do Estado na sua área de atuação. Ela é sucessora da Companhia Municipal de Serviços de Saneamento, que por sua vez herdou o passivo da Companhia de Saneamento do Estado de Mato Grosso (Sanecap), que ora se restringe a Alto Garças (para manter o CNPJ que responde por um estranho endividamento na esfera federal contraído sabe-se lá como). Em nome da lógica administrativa, da modernização do Estado e da retirada da ingerência política em serviços tão vitais é imprescindível privatizar água, esgoto e lixo em Cuiabá e Várzea Grande. A busca pela qualidade do serviço tem que prevalecer sobre interesses políticos ou grupais

Edição EDIÇÃO 16958




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